Escravidão é "muito mais predominante" do que se pensava no Reino Unido

Londres, 10 ago (EFE).- A Agência Nacional do Crime (NCA) revelou nesta quinta-feira que as formas modernas de escravidão e o tráfico de pessoas no Reino Unido são "muito mais predominantes do que se pensava inicialmente", depois que foram realizadas mais de 300 operações policiais destinadas a detectar esses criminosos.

O órgão, encarregado de encontrar e levar à Justiça organizações do crime organizado que representam uma ameaça para a segurança, se deparou, entre outros, com vítimas de apenas 12 anos desse tipo de prática.

"Quanto mais se investiga a escravidão moderna, mais evidências são encontradas do quão extenso é o abuso. A crescente evidência que estamos percebendo indica que a magnitude é muito maior do que qualquer um poderia imaginar e isso não deveria ser aceitável de forma alguma", afirmou o diretor de Vulnerabilidades da NCA, Will Kerr.

O assunto foi tratado no lançamento da campanha da Agência para conscientização sobre os sinais perceptíveis de possíveis casos de escravidão moderna. Segundo dados do organismo, existem "várias maneiras" de traficar uma pessoa e forçá-la a trabalhar de maneira ilegal e contra a vontade, por exemplo, lavando carros, atuando no setor da construção ou na agricultura.

De acordo com Kerr, essas pessoas recebem salários ínfimos e ficam obrigadas a viver em más condições. O diretor também citou os casos daqueles que são obrigados a se prostituir ou forçados a trabalhar em fábricas de cannabis.

Ele pediu que os britânicos tentem "reconhecer os sinais" e denunciem "preocupações ou suspeitas" quando acreditarem ter detectado algum caso de escravidão. Segundo ele, pessoas que apresentam ferimentos visíveis ou deixam transparecer o sentimento de angustia podem ser motivo de alerta.

De acordo com o órgão, a maioria de vítimas de trabalho escravo no Reino Unido veio de países do Leste Europeu, do Vietnã ou da Nigéria. Entre os casos registrados, está o de uma menina romani de 12 anos, encontrada por agentes de controle de passaportes quando era trazida para trabalhar como escrava doméstica.

"Estava sendo trazida para trabalhar para uma família do Reino Unido. Tinha sido vendida pelo pai e ia fazer serviços como dar banho nas crianças, levar e buscar na escola e limpar a casa", explicou.

Segundo o diretor, estes casos evidenciam o tamanho do problema que as autoridades devem enfrentar, agravado pelo fato de que algumas pessoas não tem nem mesmo consciência de que são exploradas. EFE

prc/cdr

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