EUA não culpam "nenhum país" por "incidentes" com seus diplomatas em Cuba

Washington, 10 ago (EFE).- Os Estados Unidos esclareceram nesta quinta-feira que ainda não sabem com certeza quem foi o responsável pelos "incidentes" que no ano passado causaram "sintomas físicos" a vários de seus diplomatas em Cuba, e que portanto não pode culpar, por enquanto, "nenhum país" pelo ocorrido.

"Não sabemos exatamente de onde saiu isso. Não podemos culpar nenhum indivíduo ou país por enquanto", disse a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert, em uma entrevista coletiva.

Heather não quis confirmar os relatórios de imprensa que apontam que os diplomatas americanos foram vítimas de um "ataque acústico" com "dispositivos de som", que os fez perder capacidade auditiva.

"Não podemos confirmar o estado de saúde de nenhum cidadão americano, nem dentro nem fora do país", ressaltou a porta-voz, que se limitou a repetir que os diplomatas apresentaram "uma variedade de sintomas físicos".

O incidente foi revelado nesta quarta-feira, quando Heather anunciou que os EUA exigiram no último dia 23 de maio a saída de dois diplomatas da Embaixada de Cuba em Washington, em resposta ao ocorrido no ano passado com "alguns" funcionários americanos na ilha, sem fornecer um número específico de afetados.

O governo cubano afirmou algumas horas depois que jamais permitiu que a ilha fosse utilizada para ações contra diplomatas, e qualificou de "injustificada e infundada" a decisão americana de ordenar a saída de dois funcionários cubanos.

O Ministério das Relações Exteriores de Cuba apontou que, quando Washington informou em fevereiro sobre os fatos, iniciou uma "investigação exaustiva, prioritária e urgente" e reforçou as medidas de segurança para os diplomatas dos EUA.

Heather confirmou nesta quinta-feira que o governo cubano "proporcionou assistência na investigação" sobre o incidente, que, segundo alguns meios de comunicação americanos, é liderada pelo FBI, e disse que Washington e Havana mantêm "contatos regulares" sobre o tema.

"Esperamos resolver isso de maneira satisfatória", acrescentou.

Embora Washington ainda não culpe diretamente o governo de Cuba de ter causado o incidente, os EUA decidiram expulsar dois diplomatas cubanos porque, com base na Convenção de Viena, o Executivo de Raúl Castro "é responsável pela segurança" dos funcionários americanos em Havana, explicou a porta-voz.

"Nossos (diplomatas) americanos não estavam seguros, e isso é algo que levamos muito a sério (...). É obrigação do governo cubano proteger os diplomatas americanos, e isso, obviamente, não aconteceu", indicou Heather.

A porta-voz afirmou que a embaixada americana em Cuba está "completamente operativa" após o ocorrido, embora tenha evitado dizer se todos os diplomatas que retornaram aos EUA para receber atendimento médico após o incidente foram substituídos.

Todos os afetados são trabalhadores do Departamento de Estado, e começaram a apresentar os sintomas físicos "no final de 2016", indicou Heather, que não quis dar mais detalhes e ressaltou que a investigação sobre o caso "continua".

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