Quênia continua apuração em meio a denúncias de fraude eleitoral

Em Nairóbi

  • Siegfried Modola/Reuters

    Homem lê jornal com notícias sobre as eleições na cidade Mombasa nesta quinta-feira

    Homem lê jornal com notícias sobre as eleições na cidade Mombasa nesta quinta-feira

O Quênia prossegue nesta quinta-feira (10) com a apuração dos votos das eleições realizadas na última terça-feira (8) à espera de que os líderes se pronunciem sobre a suposta fraude eleitoral denunciada pela oposição.

Os resultados provisórios da Comissão Eleitoral divulgados às 8h locais (2h de Brasília), com 77% da apuração concluída, seguem dando vantagem ao presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, com 54,27% dos votos, frente aos 44,84% de seu rival, o opositor Raila Odinga.

Os quenianos acompanham com apreensão a contagem dos votos depois que Odinga denunciou na quarta (9) que ocorreu um "ataque cibernético" contra a base de dados eleitorais para manipular os resultados.

Os eleitores também esperam que seus líderes se pronunciem sobre as denúncias e esclareçam a suposta fraude, que levou o país a uma situação de incerteza e tensão que já provocou ontem protestos em que dois manifestantes morreram por disparos da polícia.

O presidente queniano ainda não se pronunciou a respeito das acusações de fraude, e os correligionários de Odinga continuam esperando um novo pronunciamento público de seu líder.

"Estamos esperando o que Odinga vai dizer. Se Raila aceitar sua derrota, nós também aceitaremos. Se ele rejeitá-la e pedir que saiamos às ruas, sairemos", disse à Agência Efe Phillip Okea, um morador do bairro de Kibera, reduto do líder da oposição.

O ex-secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, que atua como observador internacional nestas eleições, pediu aos líderes quenianos que deem "um passo à frente" e transmitam à população confiança na integridade do processo eleitoral.

A tensão começou ontem depois que Odinga afirmou que hackers tinham invadido o sistema de contagem dos votos com a identidade do diretor de telecomunicações da Comissão, Chris Msando, que foi assassinado há dez dias, e instalaram um algoritmo que dava uma vantagem constante de 11 pontos para Kenyatta.

Após investigar essas denúncias, o responsável pela Comissão Eleitoral, Ezra Chiloba, assegurou que o sistema de computadores não tinha sofrido qualquer interferência externa "antes, durante e depois" das eleições.

Em 2007, Raila Odinga também rejeitou os resultados das eleições que perdeu, o que gerou uma onda de violência na qual morreram mais de 1.100 pessoas.
 

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