Constituinte cogita antecipar para outubro eleições regionais na Venezuela

Caracas, 11 ago (EFE).- A Assembleia Nacional Constituinte (ANC) da Venezuela, integrada unicamente por oficialistas, iniciou nesta sexta-feira um debate para estudar a possibilidade de adiantar para o mês de outubro as eleições de governadores, previstas para 10 de dezembro, e que foram suspensas em duas ocasiões.

A proposta foi feita pelo constituinte Earle Herrera e posteriormente debatida por outros quatro representantes que se mostraram a favor da iniciativa.

No entanto, a presidenta desta Assembleia plenipotenciária, Delcy Rodríguez, decidiu que esta discussão continuará amanhã em uma nova sessão ordinária.

Esta proposta surgiu no meio de uma sessão especial na qual os constituintes ratificaram quatro das cinco autoridades do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), todas ligadas ao governo.

O reitor Luis Emilio Rondón, o único do Poder Eleitoral que é crítico ao governo e que tachou de "inconstitucional" a eleição da ANC, não foi ratificado e se desconhece a intenção dos constituintes ao omitir seu nome no ato desta sexta-feira.

A oposição venezuelana, que não participou da eleição da ANC no último dia 30 de julho por considerar fraudulento esse processo, já inscreveu candidatos nos 23 estados do país e vê possibilidades de recuperar vários dos seus feudos arrebatados em 2012 pelo chavismo governante.

No entanto, uma parte da militância antichavista se recusa a participar desta disputa por estar organizada pela mesma CNE "fraudulenta" que aprovou a votação da Constituinte.

Nos últimos meses, uma dezena de dirigentes opositores, potenciais candidatos às eleições regionais, foram condenados à prisão ou inabilitados politicamente pelo Tribunal Supremo de Justiça e pela Controladoria Geral, respectivamente.

Além disso, o constituinte Diosdado Cabello, um dos porta-vozes mais poderosos do chavismo, propôs que quem quiser participar nestas eleições tenham uma "carta de boa conduta" expedida pela ANC, que os exima de fatos de violência política.

Esta proposta, que não foi aprovada no seio da Assembleia Constituinte, poderia deixar fora do processo vários dirigentes opositores que convocaram protestos contra o governo nos últimos meses.

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