EUA se negam a dar garantias de que advogados de "El Chapo "poderão ser pagos

Nova York, 11 ago (EFE).- As autoridades dos Estados Unidos não querem dar garantias de que permitirão que os advogados contratados por Joaquín "El Chapo" Guzmán recebam seus honorários, segundo disseram nesta sexta-feira em um documento enviado ao juiz encarregado do caso.

O narcotraficante mexicano, detido em Nova York à espera de julgamento, foi representado até agora por advogados de ofício, mas finalmente decidiu montar uma defesa particular.

Os Estados Unidos reivindicam de Guzmán mais de US$ 14 bilhões por suas atividades como suposto líder do Cartel de Sinaloa, razão pela qual, antes de assumir oficialmente o caso, os advogados querem assegurar-se que o dinheiro do seu contrato não será confiscado.

No entanto, as autoridades se opõem, por enquanto, a dar uma garantia desse tipo.

"O governo notificou os advogados privados que não dará uma garantia geral e futura que renuncia ao confisco de algum ou de todos os fundos recebidos do acusado", assinalaram as autoridades no documento.

A postura foi reprovada pelos advogados, que denunciam que o governo está sendo hipócrita, pois anteriormente criticou o fato de que Guzmán era defendido por advogados públicos quando tem dinheiro de sobra para pagar sua defesa.

"O governo está há meses dizendo que os contribuintes americanos não deveriam pagar a defesa do senhor Guzmán porque tem fundos para pagar advogados privados. No entanto, agora que fomos contratados, o governo de repente muda de postura e não garante que não buscará confiscar nossos honorários", disse à Agência Efe Jeffrey Lichtman, um dos advogados.

Lichtman, conhecido por sua exitosa defesa do mafioso John A. Gotti, disse através de um e-mail que as autoridades não podem manter essas duas posições e têm que escolher.

"De que o governo tem medo agora que buscamos representar o senhor Guzmán?", se perguntou o advogado.

Outro dos advogados contratados por "El Chapo", Eduardo Balarezo, se expressou na mesma linha e disse que as autoridades estão infringindo o direito de Guzmán a escolher sua defesa.

"O governo disse que o senhor Guzmán não tem direito à representação de um advogado público pela sua suposta fortuna. (...) No entanto, agora que escolheu advogado privado, o governo se nega a assegurar-nos que os honorários legais não serão embargados", declarou à Efe.

A próxima audiência sobre o caso está prevista para um tribunal do distrito do Brooklyn na próxima segunda-feira e, a prior, a questão da defesa do narcotraficante será um dos assuntos a discutir.

"El Chapo" é acusado de 17 delitos como líder do Cartel de Sinaloa, entre eles tráfico de drogas, uso ilegal de armas e lavagem de dinheiro.

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