Redutos da oposição mergulham no caos após resultado das eleições no Quênia

Nairóbi, 11 ago (EFE).- Os principais feudos da oposição no Quênia se encontram afundados no caos devido a violentos enfrentamentos entre manifestantes e a polícia, que está disparando contra eles, ainda que, por enquanto, não haja relatos de vítimas, informaram á Agência Efe várias testemunhas.

Neste momento estão ocorrendo episódios violentos em localidades como Kisumu, Migori e Siaya, e também em diferentes subúrbios da capital como Kibera, Mathare, Kawangware e Dandora, Luckysummer e Babadogo, segundo disse à Agência Efe o investigador da ONG Human Rights Watch, Otsieno Namwaya.

Em Kisumu, no oeste do Quênia, a maioria dos moradores está trancada em suas casas, e na rua a polícia dispara contra manifestantes contrários ao presidente, Uhuru Kenyatta.

A situação nos subúrbios de Nairóbi tampouco melhorou, já que ainda é possível escutar disparos em Kibera e Mathare, onde a polícia tinha se posicionado horas antes do anúncio dos resultados eleitorais.

Um residente de Kibera, Douglas Namale, contou à Efe que estão ocorrendo saques, algumas casas estão sendo incendiadas e a polícia usa munição real contra os manifestantes.

"As pessoas estão se manifestando na rua, alguns lugares estão ardendo, há muitos disparos", explicou por telefone Gladys, outra moradora desta favela, a maior de Nairóbi.

Em Mathare, a polícia também lançou bombas de gás lacrimogêneo e efetuou disparos no ar contra os manifestantes. "Há saques, isto é a guerra", relatou Don, um morador do local.

Segundo vídeos divulgados nas redes sociais, foram registrados incêndios nas ruas de Mathare, o que provocou cenas de pânico entre os residentes.

Na quarta-feira passada morreram duas pessoas neste mesmo subúrbio em decorrência de disparos da polícia durante uma manifestação.

Os distúrbios começaram no mesmo instante em que a comissão eleitoral oficializou a vitória do governante, a quem a oposição acusa de ter manipular as eleições.

A coalizão da oposição, cujo líder, Raila Odinga não reconhece os resultados e se proclama vencedor, disse publicamente que "recorrer à Justiça não é uma opção".

Em 2007, Odinga também rejeitou os resultados, o que deu início a uma onda de violência na qual morreram mais de 1.100 pessoas.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos