Milhares de peruanas se manifestam para rejeitar a violência sexual

Lima, 12 ago (EFE).- Milhares de mulheres se manifestaram neste sábado na capital Lima e nas principais cidades do Peru para rejeitar a violência sexual, que este ano já causou 59 vítimas de feminicídio.

Trata-se da segunda mobilização "Nem uma menos" organizada no país por grupos sociais, de feministas e de lésbicas e homossexuais.

Os familiares das mulheres desaparecidas nos últimos anos em Lima, bem como das vítimas da violência durante o conflito armado interno do Peru, entre 1980 e 2000, lideraram a marcha na capital.

Um dos símbolos da primeira passeata de 2016, Arlette Contreras, advogada que sofreu uma tentativa de feminicídio na cidade de Ayacucho, também participou este ano da mobilização, após ter sido agraciada nos Estados Unidos com o Prêmio Internacional às Mulheres de Coragem.

O agressor de Contreras, Adriano Pozo, foi libertado pela justiça apesar de seu ataque ter sido registrado pelas câmeras de um hotel de Ayacucho.

De janeiro a junho passados foram registrados 59 feminicídios no Peru, 11% a mais que no primeiro semestre de 2016, e 123 tentativas de assassinato de mulheres, um número similar ao do mesmo período do ano passado, segundo dados oficiais.

Sessenta e oito por cento das mulheres peruanas sofreram alguma vez violência física, psicológica ou sexual por parte dos seus companheiros, de acordo com números do Instituto Nacional de Estatística e Informática.

A passeata da capital transcorreu por várias avenidas do centro de Lima e terminou na parte de fora do Palácio de Justiça, onde as ativistas rejeitaram a atuação dos juízes e promotores perante os 48.489 casos de violência familiar, sexual e de gênero registrados no Peru neste ano.

Entre as exigências da mobilização estão a descriminação do aborto, a promulgação de uma lei de identidade de gênero e igualdade de direitos para as mulheres transexuais, bem como o aumento de penas para os casos de feminicídio.

As mulheres também pedem o aumento do orçamento para a prevenção e atendimento da violência sexual, além da punição dos responsáveis pela violência sexual nas localidades de Manta e Vilca, na região de Huancavelica, durante o conflito interno.

O Peru continua ocupando o terceiro lugar entre os países com maior índice de casos de estupros em nível mundial, e é por sua vez o Estado sul-americano com maior evasão escolar por causa de gravidez adolescente, afirmaram os organizadores.

De janeiro do 2009 a junho de 2017, foram registrados no seu território 941 feminicídios, oito em cada dez vítimas de escravidão laboral ou sexual no Peru são mulheres, e sete em cada dez mulheres são vítimas de assédio.

Os organizadores da marcha criticaram o grupo civil e religioso "Com meus filhos não ti metas" por fomentar a discriminação da mulher e da comunidade de lésbicas, gays e transexuais, opondo-se e obstaculizando as iniciativas legislativas a favor destes grupos.

A ministra da Mulher e Populações Vulneráveis, Ana María Choquehuanca, participou da marcha na cidade de Arequipa, organizada por organismos sociais e feministas nessa cidade do sul peruano.

A propósito dos casos de violência contra a mulher, a ministra anunciou que o Serviço de Atenção Urgente será descentralizado para atender de maneira imediata os casos graves de agressões.

"Vou chamar a iniciativa privada para poder conseguir mais unidades móveis. É muito importante porque os casos urgentes de violência não existem somente em Lima, mas no país inteiro", disse Choquehuanca.

Sua colega Marilú Martens, ministra da Educação, afirmou que "a educação que promove igualdade e respeito é o caminho para uma sociedade mais segura e livre, sem violência nem machismo", em uma mensagem no Twitter em solidariedade à mobilização.

"Com nosso trabalho, esforço e coragem, devemos nos fazer escutar cada vez mais forte #NiUnaMenos", acrescentou Martens.

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