Polícia impede acesso de jornalistas a protestos pós-eleitorais no Quênia

Nairóbi, 12 ago (EFE).- A polícia do Quênia está impedindo o acesso de jornalistas aos violentos protestos que estão ocorrendo após a vitória do presidente Uhuru Kenyatta nas últimas eleições e que já causaram pelo menos quatro mortes.

Em uma transmissão ao vivo da emissora de TV "KTN", os agentes lançaram bombas de gás lacrimogêneo a poucos metros do jornalista queniano Duncan Khaemba, que informava de uma rua completamente vazia sobre o que ocorria em Kibera, a maior favela do país, na capital Nairóbi, onde a situação é muito tensa.

Khaemba, um dos poucos jornalistas que conseguiram chegar à área, foi detido minutos depois junto com seu operador de câmera pelos agentes, e seguem retidos em uma delegacia.

O motivo alegado para a sua detenção é que careciam de uma licença para usa colete à prova de balas e capacete, algo que não é exigido por nenhuma lei do país.

"Os meios de comunicação não estão mostrando nada do que está acontecendo", queixou-se à Agência Efe David, um residente de Kawangware (subúrbio de Nairóbi,) que ontem à noite presenciou, escondido no terraço, a polícia disparando na cabeça de uma pessoa.

Apesar de não existir número oficial de vítimas mortais, testemunhas e organizações asseguram que pelo menos quatro pessoas morreram nas últimas horas nesta onda de violência pós-eleitoral.

Também em Kisumu, no oeste do país, alguns jornalistas denunciaram intimidação por parte dos agentes.

Tantos os jornalistas locais como os internacionais alertaram que se transformaram em alvo das forças de segurança, que desde ontem à noite disparam munição real e gás lacrimogêneo contra manifestantes.

Os distúrbios começaram no mesmo instante em que a comissão eleitoral oficializou a vitória do governante, a quem a oposição acusa de ter manipulado as eleições.

A coalizão da oposição, cujo líder, Raila Odinga não reconhece os resultados e se proclama vencedor, disse publicamente que "recorrer à Justiça não é uma opção".

Em 2007, Odinga também rejeitou os resultados, o que deu início a uma onda de violência na qual morreram mais de 1.100 pessoas.

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