Premiê culpa Portugal Telecom por erros de comunicação durante incêndio

Lisboa, 12 ago (EFE).- O primeiro-ministro de Portugal, António Costa, apontou neste sábado a operadora Portugal Telecom como responsável pelos polêmicos erros de comunicação durante o incêndio de Pedrógão Grande, que provocaram descoordenação entre as autoridades para responder à tragédia que deixou 64 mortos.

"O que falhou foi que grande parte daquela rede (conhecida como SIRESP) se assenta sobre a rede fixa da Portugal Telecom; a rede fixa da Portugal Telecom se sustenta em cabos aéreos que obviamente, em uma área florestal que está ardendo, também ardem. E, portanto, colapsam as comunicações", declarou Costa em uma entrevista ao jornal semanal "Expresso".

As conclusões do premiê, expostas em uma entrevista ao semanário que será publicada na íntegra na próxima semana, são contundentes a respeito do papel exercido pela Portugal Telecom, que deveria, segundo Costa, ter substituído estes cabos aéreos por sistemas subterrâneos há muito tempo.

"É inadmissível que as redes de comunicações junto a estradas nacionais que já têm canaletas técnicas não estejam enterradas e continuem com os cabos aéreos", opinou Costa.

Segundo um relatório preliminar sobre a gestão do incêndio de Pedrógão Grande apresentado na quarta-feira passada pela ministra de Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, os erros de comunicações registrados durante a tragédia provocaram graves descoordenações entre as autoridades.

Concretamente, estes problemas impediram de atender várias chamadas de socorro e fizeram com que alguns agentes de Proteção Civil atuassem praticamente às cegas e por iniciativa própria ao não poder receber instruções do comando de controle.

A rede SIRESP, resultado de uma colaboração público-privada que presta serviço ao Estado português por meio de um contrato assinado em 2005 pelo próprio Costa, então ministro de Administração Interna, esteve no olho do furacão desde então.

Apesar dos problemas que esta rede seguiu registrando nos últimos dias, Costa se recusa a nacionalizar a SIRESP ou romper o contrato que mantém com a administração, e argumenta que o caminho para solucionar o problema é introduzir melhorias técnicas.

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