Venezuela dominará agenda de 1ª viagem do vice de Trump à América Latina

Alfonso Fernández.

Washington, 12 ago (EFE).- O vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, iniciará amanhã uma viagem pela América Latina, passando por Colômbia, Argentina, Chile e Panamá, mas a visita será marcada pelas declarações do presidente Donald Trump sobre não descartar uma "opção militar" para solucionar a crise na Venezuela.

"A situação na Venezuela mostra a divisão entre o futuro e o passado da América Latina", indicou um funcionário do alto escalão da Casa Branca, que pediu para manter o anonimato.

"Colômbia, Argentina, Chile e Panamá representam o futuro, o futuro da liberdade, da oportunidade, do comércio e do crescimento, enquanto a Venezuela volta ao passado de ditaduras e opressão", completou o representante do governo americano.

Dessa forma, Pence buscará reforçar o compromisso do governo Trump com a América Latina e apoiar o esforço multilateral para isolar a Venezuela, imersa em uma profunda crise econômica e política, uma crise que se ampliou com a recente instauração da Assembleia Nacional Constituinte, considerada pelos EUA e parte da comunidade internacional como "ilegítima".

"O importante desses quatro países é que eles são um foco multilateral e regional. Fomos firmes tanto nas palavras como nas ações contra o regime do presidente Nicolás Maduro. E é importante nos somarmos a outros na região", explicou o funcionário da Casa Branca, citando as sanções econômicas do Departamento do Tesouro dos EUA ao próprio Maduro e outros membros do governo da Venezuela.

Colômbia, Argentina, Chile e Panamá fazem parte do grupo de 17 países que assinou nesta semana a Declaração de Lima, na qual afirmam que não reconhecerão nenhuma decisão que seja tomada pela Assembleia Constituinte. O Brasil também assinou o documento.

"O vice-presidente expressará aos quatro presidentes o respaldo às importantes reformas econômicas na região, e compartilhará preocupação sobre o inquietante colapso da democracia na Venezuela", indicou a fonte consultada pela Efe.

Apesar de a Casa Branca ter dado prioridade aos esforços diplomáticos, a intempestiva declaração sobre uma "opção militar" feita ontem à noite por Trump gerou muitas dúvidas na região.

Pence terá o complicado trabalho de equilibrar a ênfase política da visita com a ameaça militar feita pelo presidente.

O vice-presidente americano começará a visita pela Colômbia, onde fica amanhã e segunda-feira. Em um encontro com o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, Pence oferecerá o "apoio dos EUA nos esforços do país para enfrentar sérios desafios para implementar seus acordos de paz com as Farc".

Além disso, segundo o funcionário da Casa Branca, Pence destacará o "papel desempenhado pela Colômbia para aumentar a pressão sobre o regime de Maduro".

Na terça-feira, Pence chega à Argentina para se reunir com o presidente do país, Mauricio Macri, que será elogiado pela "atrevida agenda de reformas" e por "fazer os argentinos ressurgirem em uma posição de liderança global", disse a fonte consultada pela Efe.

Dois dias depois, o vice-presidente chega a Santiago para um encontro com a presidente do Chile, Michele Bachelet. Pence dirá que os EUA reconhecem o país como "um líder e um modelo de economia aberta, com uma sólida e estável democracia".

Por fim, Pence parte na sexta-feira para a Cidade do Panamá, onde destacará com o presidente panamenho, Juan Carlos Varela, o "exitoso" acordo comercial bilateral. A Venezuela também está na pauta. Ambos deverão dialogar sobre o necessário apoio à democracia no país. EFE

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