Insegurança na Líbia faz mais 2 ONGs suspenderem resgates no Mediterrâneo

Roma, 13 ago (EFE).- As restrições da Líbia em relação à ajuda humanitária e a insegurança da região fizeram com que duas novas ONGs decidissem neste domingo suspender os resgates de imigrantes no Mar Mediterrâneo, aumentando o temor de que a situação desses refugiados no país piore ainda mais.

As organizações Sea Eye e Save the Children anunciaram hoje a suspensão dos resgates, uma decisão que já tinha sido tomada ontem pela Médico Sem Fronteiras (MSF) por causa da insegurança e das "restrições" à ajuda humanitária por parte do governo da Líbia.

A Sea Eye justificou a medida, adotada de forma temporária, pela mudança da situação de segurança no Mediterrâneo e pelo "explícito tratamento contra a ONG por parte da segurança líbia".

Já a Save the Children anunciou com "pesar" que seu navio Vos Hestia ficará estacionado em Malta à espera das condições adequadas de segurança para retomar as operações.

O que preocupa as organizações é a intenção do governo de unidade de Trípoli, que controla uma pequena parte no oeste do país, de estabelecer sua própria zona de busca e resgate de imigrantes (SAR, na sigla em inglês).

Isso faria com que a Líbia ampliasse sua responsabilidade marítima além de 12 milhas do litoral, "empurrando" as ONGs, que fazem seu trabalho em águas internacionais, mais para dentro do Mar Mediterrâneo.

Por enquanto, não se sabem os planos do governo de Trípoli e qual seria a extensão dessa SAR. No entanto, os grupos temem que a área de responsabilidade da Líbia aumente para 70 milhas além da costa, algo que já ocorreu nos tempos do ex-ditador Muammar Kadafi.

Essa distância dificultaria o trabalho de resgate das organizações. A Save the Children afirmou que os barcos usados pelos imigrantes, leves, de borracha e com pouco combustível, correm mais risco de afundar tão longe da costa.

A organização também disse temer que a ampliação do controle de águas da Líbia faça com que as embarcações sejam obrigadas a retornar para o país. "Muitas crianças e adolescentes morreram antes de deixar a nova zona SAR", indicou a Save the Children em nota.

A segurança das equipes de resgate também preocupa. Até o momento, se desconhece se as ONGs poderão navegar pela nova SAR, o que colocaria as operações de salvamento em risco.

O fundador da Sea Eye, Michael Buschheuer, disse que "continuar com o trabalho e os resgates não é possível nessas circunstâncias já que não se pode garantir a segurança da tripulação.

Mas o maior medo é sofrido pelas milhares de pessoas que, após fugir da miséria e da guerra em seus países, permanecerão "presas" na Líbia, que vive um conflito civil desde 2011 e é descrito pelos próprios imigrantes como um verdadeiro inferno.

O tenso cenário no país foi descrito por diferentes relatórios publicados pela Oxfam, que revelam que os imigrantes têm sofrido "violências de todo o tipo, prisões ilegais, estupro e tortura" por parte das redes de traficantes de pessoas.

Apesar da decisão das três organizações, outras continuarão atuando, como a Proativa e a SOS Méditerranéé, que, no entanto, afirmou que acompanhará de perto a situação.

Por enquanto, o fluxo migratório para a Itália continua relativamente baixo neste ano. Até a última sexta-feira, desembarcaram no país 96.930 imigrantes, 3,86% menos do que no ano passado, segundo o Ministério do Interior.

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