Scaramucci sugere existência de complô contra Trump na Casa Branca

Washington, 13 ago (EFE).- Diretor de Comunicação da Casa Branca por apenas dez dias, Anthony Scaramucci sugeriu neste domingo que há funcionários que atuam na principal sede do governo conspirando contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Em uma entrevista no programa "This Week" da emissora "ABC", Scaramucci, demitido há duas semanas por Trump, afirmou que o presidente precisa de uma equipe "mais leal" para defender sua agenda política.

"O que ocorre em Washington é que o presidente não representa o establishment político. Por essa razão, as pessoas (na Casa Branca) tomaram a decisão de expulsá-lo", afirmou o empresário de Wall Street, que tinha sido nomeado para acabar com os vazamentos das intrigas do governo para a imprensa.

"Acredito que há elementos em Washington, inclusive dentro da Casa Branca, que não necessariamente estão apoiando os interesses do presidente ou de sua agenda", disse o ex-diretor.

Scaramucci também falou sobre a ligação que fez ao jornalista da revista "New Yorker" Ryan Lizza, na qual chamou o então chefe de gabinete de Trump, Reince Priebus, de "paranoico esquizofrênico" e fez duras críticas ao estrategista-chefe da Casa Branca, Steve Bannon, que provocaram sua demissão.

O milionário afirmou que não sabia que a ligação estava sendo gravada e insinuou que sua saída pareceu um excesso.

"Obviamente, gostaria que me dessem dado um sabão e me mandassem para o banho para lavar minha boca e seguir adiante", comentou.

No entanto, Scaramucci reconheceu que seria muito difícil permanecer no posto após o incidente, especialmente depois da nomeação de John Kelly como chefe de gabinete, uma pessoa pela qual o ex-diretor de comunicação disse ter "respeito".

O investidor também criticou a influência de Bannon e da extrema-direita na presidência de Trump, sugerindo que o republicano deve apostar em políticas mais focadas na população e mais moderadas para conseguir que sua agenda legislativa avance.

Scaramucci classificou a influência de Bannon no governo como um "empecilho" e fez uma previsão de que Trump acabará o demitindo.

"O que eu quero dizer é que, definitivamente, acredito que o presidente tem uma boa ideia de quem dentro da Casa Branca faz vazamentos à imprensa e de quem atrapalha sua agenda para ajudar aos seus próprios interesses", indicou.

Por fim, Scaramucci criticou a resposta vaga de Trump ao incidente racista registrado ontem em Charlottesville, na Virgínia, onde um supremacista branco atropelou deliberadamente um grupo de manifestantes antirracismo e matou uma mulher.

Apesar de ter classificado a atitude como "terrível" em sua primeira reação ontem, Trump não citou expressamente os supremacistas brancos que tinham convocado o primeiro protesto, entre eles membros do Ku Klux Klan.

Depois de muitas críticas, a Casa Branca disse hoje que o presidente condenou ontem, "com muita contundência", todas as formas de violência, fanatismo e ódio, incluindo a realizada por supremacistas brancos, pelo Ku Klux Klan e por neonazistas.

"Eu não teria recomendado essa declaração inicial. Trump deve ser mais duro com os supremacistas brancos e, desde o início, deveria ter classificado o ato como um caso de terrorismo doméstico", disse o ex-diretor.

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