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Internacional

EUA respondem à Rússia que sua estratégia no Afeganistão não é apenas militar

24/08/2017 16h10

Washington, 24 ago (EFE).- Os Estados Unidos tiraram importância nessa quinta-feira das "previsíveis" críticas da Rússia à nova estratégia americana no Afeganistão, e negou que esteja baseada apenas na força militar, além de sugerir que Moscou está se aproximando dos talibãs devidos à sua preocupação com o Estado Islâmico (EI).

Uma funcionária americana de grande escalão, que pediu anonimato, reagiu aos comentários do Ministério de Assuntos Exteriores da Rússia, que hoje criticou a estratégia recém-anunciada pelo presidente americano, Donald Trump, por considerar que sua "aposta na força" não solucionará o conflito.

"A reação russa é bastante previsível, estão há tempos espalhando propaganda muito contraproducente sobre o papel dos Estados Unidos no Afeganistão", disse a funcionária em uma entrevista coletiva por telefone com um reduzido grupo de meios de comunicação, entre eles a Agência Efe.

"Os russos adotaram um papel muito tático e estão tentando minar nossa reputação na região", acrescentou.

A funcionária salientou que a estratégia dos Estados Unidos não é "unicamente militar", uma vez que tem "um forte elemento diplomático, politico e, inclusive, econômico".

"É objetivamente incorreto dizer que esta é uma estratégia excessivamente militarista, mas não me surpreende que o digam, porque os russos nos veem com competência para influenciar a região e seu papel não foi particularmente útil nos últimos meses no Afeganistão", opinou.

O Ministério de Exteriores russo também negou hoje que Moscou esteja proporcionando armas aos talibãs, como denunciou o comandante da missão americana no Afeganistão, o general americano John Nicholson.

Perguntada a respeito, a funcionária respondeu que o governo russo "está verdadeiramente preocupado com o Estado Islâmico e isso está lhes levando a considerar um apoio aos talibãs", uma política que recebeu suas críticas.

A funcionária ainda elogiou o plano diplomático da estratégia anunciada nesta segunda-feira por Trump, que inclui um aumento indefinido de tropas no Afeganistão, onde os Estados Unidos já têm pelo menos 8.400 soldados, e não impõe nenhum prazo para a sua retirada.

"Esta estratégia é mais realista que a da Administração anterior", que fixou prazos para a retirada gradual das tropas americanas, defendeu a fonte.

O objetivo de Trump é "deixar claro aos talibãs que não podem ganhar no campo de batalha" e conseguir que aceitem buscar "um acordo negociado" com o governo afegão, segundo disse.

Além disso, os diplomatas americanos "se relacionarão mais intensamente" com os governos da região a partir de agora e estabeleceram "marcos" que o Executivo afegão deve cumprir, em termos de reformas e luta contra a corrupção, se quiserem continuar recebendo o apoio americano.

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