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Santos afirma que Venezuela atua como ditadura ao censurar meios colombianos

24/08/2017 15h45

Bogotá, 24 ago (EFE).- O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, afirmou nesta quinta-feira que a retirada do sinal da emissora "Caracol Televisión" da grade de operadores da Venezuela é mais uma demonstração que esse país está atuando como uma "ditadura".

"Tenho que lamentar o que aconteceu, é mais uma demonstração de um regime que não gosta das liberdades, um regime que está restringindo as liberdades dos seus cidadãos", disse Santos durante um ato de entrega de obras em uma prisão no centro do país.

Santos, que também exerceu jornalismo, indicou que, por esta razão, seu governo considera que a Venezuela "se afastou mais do sistema democrático e que cada vez mais está atuando como uma ditadura".

Na noite desta quarta-feira, o sinal da "Caracol Televisión" saiu do ar na Venezuela por ordem do governo de Nicolás Maduro, segundo informou a emissora em um comunicado.

Meios de comunicação venezuelanos asseguram que nas próximas horas o canal "RCN Colombia" também será retirado do serviço prestado pelos operadores a cabo do país, tal como aconteceu há seis meses com a "CNN en Español" e agora com a "Caracol Televisión".

Além disso, em fevereiro de 2014, o canal de notícias colombiano "NTN24", que era transmitido na Venezuela através do cabo, foi tirado do ar.

Santos lamentou a decisão do governo venezuelano "como democrata, como defensor das liberdades" e destacou que "uma das liberdades que nutre a democracia é a liberdade de expressão".

Também ressaltou o direito que as pessoas têm de informar-se e de criticar, e lembrou que, como jornalista, foi presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) durante vários anos.

As relações entre Bogotá e Caracas sofreram nas últimas semanas fortes tensões pelo cruzamento de críticas entre os governantes de ambos países.

Um dos detonantes das críticas foi a chegada no último dia 18 de agosto à Colômbia da ex-procuradora-geral venezuelana Luisa Ortega, acompanhada de seu marido, o deputado chavista Germán Ferrer, e dois assessores do seu escritório.

Santos confirmou na segunda-feira passada que a ex-procuradora está "sob proteção" do seu governo, e indicou que, se solicitar asilo politico, este será concedido.

Na quarta-feira, durante visita ao Brasil, Ortega atribuiu sua destituição e a perseguição política que diz sofrer na Venezuela "ao afã de esconder os fatos de corrupção" dos quais, segundo assegura, tem "muitas provas", e às investigações que preparava sobre os subornos pagos pela Odebrecht a várias autoridades.

"Tenho provas no caso Odebrecht que comprometem Maduro, Diosdado Cabello, Jorge Rodríguez e outros", garantiu Ortega na cerimônia de abertura de uma reunião de procuradores dos países do Mercosul em Brasília, onde disse que queria denunciar perante o mundo a situação de "corrupção desmedida" na Venezuela.