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Ex-procuradora-geral da Venezuela diz que enviaram "assassinos" à sua procura

25/08/2017 15h16

Berlim, 25 ago (EFE).- A ex-procuradora-geral da Venezuela Luisa Ortega afirmou em entrevista à revista alemã "Der Spiegel" que nem após ter abandonado seu país se sente segura, porque sabe que mandaram "assassinos" à sua procura.

Na primeira entrevista desde que deixou a Venezuela (será divulgada amanhã, mas teve trechos antecipados), Ortega reiterou também que tem documentos que provam que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, se enriqueceu a partir de fraudes aos fundos públicos.

"Tenho informações de que mandaram assassinos atrás de mim", disse a ex-procuradora-geral, que acrescenta que recebeu "várias ameaças" antes de decidir abandonar a Venezuela.

Não obstante, se mostrou disposta a continuar lutando pelo seu país desde o exterior.

Além disso, Ortega reiterou que tem documentos comprometedores que contêm acusações sérias contra Maduro, nos quais aponta que obteve dinheiro público, destinado em um primeiro momento à compra de alimentos, através de uma empresa mexicana.

Também apontou que a construtora brasileira Odebrecht pagou US$ 100 milhões a familiares de Diosdado Cabello, o homem forte da recém-eleita Assembleia Nacional Constituinte (ANC) chavista, através de uma companhia espanhola.

"Estamos perante um grupo de gente que não são homens de Estado, mas sim criminosos", destacou Ortega.

A ex-procurador-geral explicou que decidiu abandonar a Venezuela quando o Governo pediu a prisão de seu marido, o deputado Germán Ferrer, que segundo a nova Promotoria liderou uma trama milionária de extorsão que operava desde o Ministério Público.

Além disso, a ex-procuradora-geral da Venezuela pediu à comunidade internacional que aumente a pressão sobre o Governo venezuelano.

Ortega, acusada de traição pelo Governo de Maduro, abandonou a Venezuela nesta semana e denunciou desde Brasília supostas práticas corruptas dos dirigentes chavistas.

A ex-procuradora acrescentou em declarações à imprensa que entregará as provas às autoridades de diferentes países, entre eles Estados Unidos, Colômbia e Espanha, "para que se examine" em "virtude do princípio de jurisdição universal".