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Internacional

Oposição do Quênia expõe denúncia de fraude eleitoral no Supremo

28/08/2017 14h43

Nairóbi, 28 ago (EFE).- A oposição do Quênia denunciou nesta segunda-feira ao Tribunal Supremo do país que a apuração dos votos das eleições do último dia 8 de agosto foi alterada por um ataque de hackers em favor do atual presidente, Uhuru Kenyatta, e pediu a anulação dos resultados do pleito.

A Super Aliança Nacional (Nasa), coalização de oposição liderada por Raila Odinga, derrotado por Kenyatta, defendeu em audiência pública os argumentos do recurso após rejeitar há duas semanas a recontagem realizada pela Comissão Eleitoral.

Segundo a oposição, no mesmo dia da votação ocorreu uma invasão ilegal nos servidores do órgão eleitoral para introduzir um algoritmo que um gerou uma vantagem aproximada de 11 pontos percentuais em favor de Kenyatta.

Os resultados foram modificados por uma "fórmula de ajuste", que permitia um crescimento exponencial do número de votos, explicou o advogado da Nasa, Otiende Amollo.

"Se como exigia a lei, os resultados fossem repassados aleatoriamente, essa diferença não seria possível", disse o advogado, que denunciou que a apuração chegou em pacotes agrupados, o que não significa que vinham diretamente das mesas de votação, como exige a lei.

Por isso, segundo o advogado da oposição, não é possível saber a verdadeira procedência dos votos. Para Amollo, os votos poderiam ter sido "retidos em algum lugar, ajustados, e depois libertados ao sistema da Comissão Eleitoral".

Além disso, o advogado disse que algumas das atas das sessões eleitorais são de "autenticidade duvidosa".

Hoje mesmo, coincidindo com o início das audiências para analisar o recurso, o Tribunal Supremo autorizou à Nasa a verificar os servidores da Comissão Eleitoral, tal como tinha sido pedido.

Além dos servidores, a oposição terá acesso aos registros dos usuários e aos dispositivos do sistema de transmissão eletrônica de resultados, que foi usado pela primeira vez nesse pleito.

O recurso da oposição, apresentado no último dia 18, suspendeu a posse de Kenyatta, prevista para ocorrer amanhã.

Segundo a Lei Eleitoral, o Tribunal Supremo tem até o dia 5 de setembro para tomar uma decisão, que, se favorável ao presidente, será empossado no dia 12 do mesmo mês.

A rejeição dos resultados e autoproclamação de vitória por parte da oposição gerou uma série de protestos durante os dias posteriores às eleições, principalmente em Nairóbi, que deixaram dezenas de mortos.

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