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Protestos exigem renúncia de Morales após expulsão de diretor de órgão da ONU

28/08/2017 17h34

Cidade da Guatemala, 28 ago (EFE).- Dezenas de camponeses exigiram nesta segunda-feira a renúncia do presidente da Guatemala, Jimmy Morales, que ontem ordenou a expulsão do país do diretor da Comissão Internacional Contra a Impunidade na Guatemala (Cicig), o advogado colombiano Iván Velásquez, declarado também como "persona non grata" pelo governo local.

Integrantes do Comitê de Desenvolvimento Camponês (Codeca), agirando bandeiras brancas, ficaram em frente à sede da Corte de Constitucionalidade, a última instância judicial do país, que suspendeu ontem a expulsão de Velásquez, ordenada ontem por Morales por considerar que o diretor da Cicig interferiu nos assuntos internos da Guatemala.

Raúl Martínez, um dos manifestantes que veio do leste do país para participar do protesto, disse à Agência Efe que o ato é para demandar a renúncia de Morales. "Apoiamos a Cicig e pedimos que ela prenda todos os corruptos", afirmou.

A disputa começou na sexta-feira, quando o Ministério Público e a Cicig apresentaram à Corte Suprema de Justiça um pedido para que o órgão retirasse a imunidade de Morales para que o presidente fosse investigado por financiamento eleitoral ilícito em 2015.

Morales declarou Vélasquez "persona non grata" e ordenou a imediata expulsão do diretor da Cicig da Guatemala, mas a decisão foi suspensa após uma decisão da Corte Constitucional.

A decisão do presidente gerou uma série de protestos de apoio ao órgão anticorrupção criado pela ONU em um acordo firmado com a Guatemala em 2007 e outras em defesa do presidente da Guatemala.

Segundo a denúncia apresentada na sexta-feira, Morales teria recebido dinheiro na campanha que não foi declarado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No anúncio feito no domingo, o presidente não explicou se declarou Velásquez como persona non grata por causa da acusação ou por outras razões.

Pouco depois de ordenar a expulsão de Velásquez, o chanceler da Guatemala, Carlos Raúl Morales, foi demitido do cargo pelo presidente. O governo não explicou se a demissão ocorreu porque Rául Morales se negou a proceder com o trâmite para cumprir a ordem do agora ex-chefe.

Ainda ontem, a ministra da Saúde, Lucrecia Hernández, anunciou sua renúncia ao cargo por causa da decisão de Morales.

Um dos casos mais famosos investigados pela Cicig foi o batizado de "La Línea", que revelou um grande esquema de fraude nos portos do país. Foram presos por envolvimento no escândalo o ex-presidente Otto Pérez Molina e a ex-vice-presidente Roxana Baldetti.