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Exército do Sri Lanka nega acusações contra embaixador do país no Brasil

30/08/2017 10h34

Colombo, 30 ago (EFE).- O Exército do Sri Lanka classificou como falsas as denúncias feitas por uma organização de direitos humanos contra o embaixador do país no Brasil e em outros cinco países da América Latina, o ex-general Jagath Jayasuriya, acusado de cometer crimes contra a humanidade durante a guerra civil de 2009.

"Mantemos que essas alegações são falsas. Apesar de a Guerrilha dos Tigres Tâmeis ter sido derrotados pelo Exército, sua ideologia ainda está viva e isso é o que vemos nessas alegações", afirmou em entrevista coletiva o porta-voz militar Roshan Seneviratne.

Um grupo de ativistas latino-americanos, liderados pelo Projeto Internacional da Verdade e Justiça (ITJP), apresentou na segunda-feira duas denúncias no Brasil e na Colômbia contra o ex-general, comandante da fase final da guerra entre o Exército e a Guerrilha dos Tigres Tâmeis que durou de 1983 a 2009.

"Os processos registrados na segunda-feira em Brasília e Bogotá alegam que o general Jayasuriya tem responsabilidade criminal indiviual como comandante de unidades que cometeram repetidos ataques contra hospitais, atos de tortura e violência sexual, desaparecimentos forçados e assassinatos extrajudiciais", indicou o ITJP em comunicado.

O governo do Sri Lanka, que está envolvido em um processo para apurar os crimes contra a humanidade ocorridos durante a guerra civil, afirmou que não realizará investigações sobre acusações gerais contra ex-militares que não sejam baseadas em provas.

"Se houver alegações específicas sobre desaparecimentos, tortura ou abusos dos direitos humanos, as examinaremos", indicou em entrevista coletiva o porta-voz do governo e também ministro da Saúde, Rajitha Senaratne.

O ministro também afirmou que nem todas as mortes ocorridas durante a guerra foram "assassinatos". E destacou que o conflito ocorreu contra um "grupo terrorista" que foi derrotado pelas forças do governo do Sri Lanka.

O Ministério das Relações Exteriores anunciou ontem que espera que Jayasuriya retorne ao país ao término de seu mandato na América Latina.

O presidente do Sri Lanka, Maithripala Sirisena, prometeu quando chegou ao poder em janeiro de 2015 que investigaria as violações dos direitos humanos durante a guerra civil no país. De acordo com números extraoficiais, o conflito deixou entre 60 mil e 100 mil mortos.