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Familías protestam na Caxemira por desaparecimento forçado de 8 mil pessoas

30/08/2017 12h26

Srinagar (Índia), 30 ago (EFE).- Centenas de ativistas e familiares protestaram nesta quarta-feira pelo desaparecimento forçado de milhares de pessoas após serem detidas pelas forças de segurança da Índia na Caxemira, onde uma associação de pais de desaparecidos denuncia que há 8 mil desaparecidos.

Por causa do Dia Internacional do Preso-Desaparecido, os familiares das vítimas fizeram protestos em dois pontos da capital da conflituosa regional, Srinagar, para exigir que o governo da Índia divulgue informações sobre seus parentes.

"Se os desaparecidos estão mortos, o governo deveria declarar que eles faleceram", disse à Agência Efe um dos membros da Associação de Pais de Pessoas Desaparecidas (APDP), Parveena Ahangar.

Segundo dados da APDP, entre 8 mil e 10 mil pessoas desapareceram de maneira forçada na parte indiana da Caxemira desde 1989.

"Esse ato desumano, selvagem e insensato foi cometido pelo Exército, pelas forças paramilitares e pelos grupos de operações especiais", disse à Efe Khurram Parvez, da Coalizão da Sociedade Civil (CCS), uma associação de direitos humanos da região.

Segundo a CCS, milhares de túmulos de indigentes foram descobertos no norte da região recentemente. A organização acredita que eles sejam os cadáveres dos desaparecidos na Caxemira.

Os familiares das vítimas, por sua parte, pediam hoje a informação sobre o paradeiro dos parentes às autoridades da Índia.

"O meu marido, Abdul Rashid Parra, foi preso pelo Exército em 2002. Desde então, ninguém me dá notícias sobre ele", contou à Efe Zaina Parra, de 40 anos, e mãe de dois filhos.

Hajra Ahmad Sofi, mãe de Bashir, viu as forças de segurança prenderem o filho em 1990. "Se passaram 27 anos, mas hoje não sei se meu filho está vivo ou não", lamentou.

Situada aos pés do Himalaia, a Caxemira é a única região da Índia de maioria muçulmana e é fortemente militarizada por causa da presença de movimentos independentistas.

O Paquistão exige a completa soberania da região desde a divisão da área e a independência do Império Britânico.