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ONU quer que relatório de abusos na Venezuela sirva para prestação de contas

30/08/2017 10h11

Genebra, 30 ago (EFE).- A ONU disse nesta quarta-feira que faltam pesquisas para determinar se houve crimes contra a humanidade nos protestos contra o governo na Venezuela, mas expressou o desejo que o relatório sobre as violações de direitos humanos divulgado hoje sirva para a prestação de contas dos responsáveis no país.

"Colocamos esse relatório à disposição da comunidade internacional e esperamos que sirva para a prestação de contas e, como tal, esperamos que seja usado extensamente, incluindo por parte da Organização de Estados Americanos (OEA)", disse Hernan Vales.

Vales participou da redação do relatório da ONU que documenta "reiteradas" violações de direitos humanos por parte das forças de segurança da Venezuela entre abril e o fim de julho.

A OEA anunciou também em julho que começará em setembro uma série de audiências para determinar se há base para que algum dos países-membros do órgão leve o governo de Nicolás Maduro ao Tribunal Penal Internacional (TPI). Os trabalhos terão a assessoria de um ex-promotor do tribunal, o advogado argentino Luis Moreno Ocampo.

Vales acredita que o relatório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH) influenciará as ações de Ocampo.

"Esperamos que assim seja. Nosso propósito não foi documentar ou buscar crimes internacionais, mas simplesmente informar sobre as violações cometidas", indicou o representante da ACNUDH.

"Serão necessárias mais investigações para determinar se foram cometidos crimes contra a humanidade no país", completou.

O ACNUDH documenta no relatório sobre a Venezuela violações "sistemáticas e generalizadas" por parte das forças de segurança, como o uso de força excessiva e letal, maus tratos, inclusive tortura, prisões arbitrárias, desaparecimentos forçados, buscas ilegais e violações de moradias, além de julgamentos de militares contra civis, entre outros abusos.