Ex-capitão venezuelano que atacou base militar está "desaparecido" há 20 dias

Caracas, 1 set (EFE).- A família do ex-capitão da Guarda Nacional (GNB) da Venezuela, Juan Carlos Caguaripano, denunciou que não tem notícias do militar desde que foi detido no último dia 11 de agosto por liderar o ataque a uma unidade militar do estado de Aragua, informaram nesta sexta-feira meios de comunicação locais.

"A minha pergunta é: O que querem fazer com esse ser humano?", questionou em uma entrevista ao site "Caraota Digital" a esposa do ex-capitão, Irene Olazo, que relatou que não recebeu até o momento confirmação formal do paradeiro do seu marido.

A esposa do ex-capitão exigiu poder ver seu marido e afirmou que não aceitará como "prova de vida" uma "foto manipulada", o testemunho de nenhum funcionário nem "tampouco um vídeo que possa ser editado".

Segundo Olazo, alguns funcionários lhe comunicaram de maneira extraoficial que Caguaripano esteve até 22 de agosto em um centro da Direção de Contrainteligência Militar (DGCIM), do qual foi transferido a uma sede do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin) também em Caracas.

Esses mesmos funcionários lhe asseguraram que tinham visto Caguaripano "fazendo alguns curativos" e "recebendo soro intravenoso" no centro da DGCIM, o que faz Olazo pensar que seu marido tinha "feridas abertas" e estava "desidratado" ou "tinha uma perda muito grande de sangue".

"Se já o mataram mostrem-me o cadáver. Se o levaram a Cuba, aqui estou, levem-me a Cuba, quero ver meu marido. E, se está no Sebin, por que mentir? Por que escondê-lo? É por que vão continuar lhe maltratando?", perguntou Olazo na entrevista.

Por sua parte, o pai do ex-capitão contou ao site que agentes do Sebin revistaram hoje a casa na qual vive com sua esposa no estado de Aragua.

O capitão Juan Carlos Caguaripano foi expulso da GNB por "traição à pátria" e "rebelião" em 2014 por criticar a "repressão" aos protestos antigovernamentais de então, que se saldaram com 43 mortos.

O militar publicou nessa ocasião um "chamado à reflexão" às forças armadas, em que enumerava a "ocupação, intromissão e violação da soberania nacional por parte de agentes cubanos e grupos narcoterroristas estrangeiros" como "razões legais e constitucionais para intervir" na Venezuela.

Caguaripano se manteve desde então na clandestinidade e foi assinalado como um dos impulsores de um suposto plano golpista frustrado em 2015.

No último dia 6 de agosto reivindicou o ataque efetuado por um grupo de homens armados a uma base militar, por meio de um vídeo em que voltava a declarar-se em rebeldia contra o presidente Nicolás Maduro.

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