Ex-premiê português usa YouTube para defender-se de acusações de corrupção

Lisboa, 1 set (EFE).- O ex-primeiro-ministro português, José Sócrates, divulgou nesta sexta-feira vários vídeos através do YouTube para explicar sua relação com a operadora Portugal Telecom e defender-se de algumas das suspeitas de corrupção pelas quais é investigado.

Sócrates, que ainda não foi acusado formalmente pela Justiça portuguesa, explica ao longo de cinco vídeos a relação do governo que liderou entre 2005 e 2011 com a operadora.

"A ideia sugerida (pelo Ministério Público) é que o meu governo teria tido uma atuação desonesta para favorecer os acionistas da empresa. Isto é absolutamente falso e desejo demonstrá-lo", afirma o antigo chefe do Executivo português no início do vídeo.

Oficialmente só se sabe que dois antigos presidentes da Portugal Telecom, Zeinal Bava e Henrique Granadeiro, são dois dos mais de 30 implicados no caso "Sócrates", que investiga o antigo dirigente socialista por suspeitas de corrupção, fraude fiscal e lavagem de dinheiro.

Informações da imprensa portuguesa apontam que os dois empresários teriam subornado Sócrates para que beneficiasse à empresa.

Entre os argumentos que sustenta nos vídeos, Sócrates destaca que seu governo "acabou com o monopólio efetivo da Portugal Telecom", que viu reduzir notavelmente sua cota de mercado no negócio das telecomunicações durante seu mandato, e que atuou com "neutralidade" na oferta pública de ações que o grupo Sonae lançou sobre a operadora.

O ex-premiê socialista português também desmentiu que tivesse dado instruções à estatal Caixa Geral de Depósitos (CGD) para votar contra a oferta da Sonae ou que pactuasse o veto do Estado à venda da brasileira Vivo à espanhola Telefónica.

Além disso, afirmou que o acordo de fusão da Portugal Telecom com a brasileira Oi foi alcançado durante o governo posterior, conduzido por partidos conservadores.

A denominada "Operação Marquês" explodiu em novembro de 2014, quando Sócrates foi detido no aeroporto de Lisboa e ficou preso preventivamente por quase dez meses.

Atualmente está em liberdade à espera que se emita uma acusação formal contra ele, para o que o Ministério Público estabeleceu o próximo dia 20 de novembro como data limite.

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