Milhares de pessoas comemoram anulação do resultado eleitoral no Quênia

Nairóbi, 1 set (EFE).- Milhares de habitantes do Quênia saíram às ruas para comemorar a anulação pelo Tribunal Supremo do país dos resultados das eleições do dia 8 de agosto e ordenou a convocação de novas eleições, ao invalidar a vitória do atual presidente, Uhuru Kenyatta.

No bairro de favelas de Kibera, em Nairóbi, um dos principais redutos da oposição, milhares de seguidores do candidato opositor Raila Odinga, da coalizão Super Aliança Nacional, exibiam cartazes com dizeres como "pela primeira vez vimos justiça no Quênia".

A alegria dos moradores deste bairro, que portavam cartazes com o rosto de Odinga, se traduzia em música, dança e gritos, especialmente nas imediações do colégio eleitoral onde o líder opositor votou.

"Vocês viram como nos enganaram!", lembravam alguns em referência às acusações feitas por Odinga, que assegurou no mesmo dia das eleições que a Comissão Eleitoral tinha sofrido um ataque cibernético que tinha gerado uma "fraude" a favor de Kenyatta.

"Raila (Odinga) é o presidente já, porque Uhuru (Kenyatta) nos enganou. Raila representa todos", afirmaou à Agência Efe Jackeline.

Já Sarah explicou à Efe que acredita em "novas eleições".

Apesar de todos comemorarem, o ambiente antes do veredicto era de pessimismo: "Não esperava este resultado, estava em casa irritada e esperando o pior, mas o conseguimos. Estou feliz, vamos votar de novo e vamos ganhar", disse à Efe Jesitah.

Joseph pensa o mesmo: "Temos certeza de que agora vamos ganhar".

O otimismo tomou conta do próprio Odinga, que utilizou a mesma retórica bíblica de durante a campanha eleitoral e disse na saída dos juizados que "a nossa viagem a Canaã é imparável", depois do que exigiu que os autores deste crime "monstruoso" (a fraude nas eleições) sejam processados.

Em outra das principais áreas opositoras, como a cidade ocidental de Kisumu e Mombaça, no litoral, os seguidores do opositor comemoravam em frente às câmeras de televisão cantando "Uhuru deve ir embora".

Enquanto isso, em regiões como Nyeri, de apoio maioritário ao partido de Kenyatta, o Jubileu, os seus seguidores apareciam resignados mas dispostos a votar novamente em seu líder nas próximas eleições, que deverão acontecer nos próximos 60 dias.

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