Acnur afirma que quase 60 mil rohingyas chegaram a Bangladesh em 1 semana

Daca, 2 set (EFE).- O Alto Comissariado das Nações Unidos para os Refugiados (Acnur) afirmou neste sábado que já são cerca de 60 mil os membros da minoria muçulamana rohingya que chegaram a Bangladesh na última semana escapando da violência no noroeste de Mianmar.

"Segundo a estimativa das agências humanitárias trabalhando sobre o terreno, o número de novas chegadas é de 58,6 mil", indicou à Agência Efe um porta-voz do Acnur, Joseph Surjamoni Tripura.

A chegada em massa de dezenas de milhares de rohingyas provenientes do estado Rakhine, no noroeste de Mianmar, começou em 25 de agosto depois de um ataque do insurgente Exército de Salvação Rohingya de Arakan (ARSA) contra postos policiais e militares na zona que deixou mais de cem mortos (a maior parte guerrilheiros).

Desde esse dia, milhares de membros desta comunidade não reconhecida pelo Governo birmanês e ignorada pelo de Bangladesh cruzaram a fronteira fugindo da violência, em meio às represálias do Exército.

A ONU expressou ontem sua "profunda preocupação" pelos relatórios sobre a violência perpetrada pelas forças de segurança de Mianmar e pediu calma para "evitar uma catástrofe humanitária".

Este novo êxodo ocorre nove meses depois que pelo menos 70 mil rohingyas fugiram da mesma zona em meio a ataques indiscriminados do Exército após outro ataque de insurgentes dessa minoria, uma campanha militar denunciada pela ONU e ONGS pelo vulnerações dos direitos humanos.

O Acnur solicitou então às autoridades de Bangladesh que abrissem um corredor humanitário, algo ao qual até agora o Governo de Daca não respondeu.

Mais de um milhão de rohingyas vivem em Rakhine, onde vivem discriminados em uma situação que foi piorando desde o surto de violência sectária de 2012 que deixou pelo menos 160 mortos e cerca de 120 mil pessoas confinadas em 67 campos de deslocados.

As autoridades de Mianmar não reconhecem a cidadania aos rohingyas e Bangladesh os considera cidadãos birmaneses.

Entre 300 mil e 500 mil rohingyas vivem em Bangladesh, dos quais só 32 mil têm status de refugiado, e vivem em campos no distrito de Cox's Bazar.

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