Bloco de países emergentes tenta se recompor com cúpula após crise e tensões

Antonio Broto

Xiamen (China), 2 set (EFE).- O bloco de potências emergentes Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) celebra a partir de domingo a cúpula anual na ilha chinesa de Xiamen para tentar impulsionar seu papel como ator mundial, apesar das recentes tensões entre China e Índia e o difícil momento econômico dos outros membros.

De 3 a 5 de setembro, a cidade de Xiamen, conhecida por ser um dos lugares com melhor nível de vida na China, recebe os presidentes do Brasil, Michel Temer; África do Sul, Jacob Zuma; e da Rússia, Vladimir Putin; como o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.

O governante chinês, Xi Jinping, é o anfitrião de três dias de diálogos econômicos e empresariais aos quais também foram convidados os governantes de Guiné, Tailândia, Egito, Tajiquistão e México.

Para a China, em palavras do seu ministro de Assuntos Exteriores, Wang Yi, a cúpula "enviará sinais positivos sobre a necessidade de fortalecer a cooperação econômica, melhorar a governança mundial e manter a paz e a estabilidade", em meio a um clima global marcado pelo aumento "de unilateralismos".

Com a reunião dos Brics, quarto grande evento multilateral que a China realiza sob o Governo de Xi, após a cúpula Ásia-Pacífico em 2014, a do G20 em 2016 e o Fórum das Novas Rotas da Seda em maio, Pequim espera aumentar a voz de um bloco que de acordo com o país anfitrião é o grande motor econômico mundial.

Com 3,1 bilhão de habitantes (40% da população planetária), os Brics produzem 28% do PIB global, uma porcentagem que dobrou há 10 anos, quando estes países começaram a dar os seus primeiros passos como bloco.

"Em uma década, nos transformamos em uma grande força para o crescimento mundial e para transformação da ordem global", apontou Wang em coletiva de imprensa.

A professora de Relações Internacionais da Universidade de Pequim Zhang Lihua também concorda com isso e assegura que os Brics são um valor seguro no atual sistema global, marcado pelo auge dos protecionismos, os conflitos geopolíticos e a não completa recuperação da grande recessão de 2008.

"Agora a Europa e os EUA têm mais protecionismo econômico, e por deficiências de seus sistemas, chegaram a um ponto difícil de seu desenvolvimento, enquanto os cinco países Brics têm uma grande capacidade", destacou Zhang em declarações à Agência Efe.

Não obstante, a cúpula é realizada em um momento muito complicado para os cinco membros, e inclusive chegou a estar em dúvida a presença do premiê Modi pelas disputadas fronteiriças que a China e a Índia protagonizaram nos dois últimos meses por uma pequena incursão de tropas indianas em território chinês.

A crise foi resolvida a tempo, com a retirada dos soldados índios após um acordo cujas condições não foram reveladas, mas pode persistir a desconfiança entre China e Índia, que perante um incidente fronteiriço similar protagonizaram uma breve guerra em 1962.

"Na cúpula, o Governo chinês pode oferecer condições econômicas que beneficiem a Índia. Os dois países necessitam sentar e conversar", disse Zhang, que aponta que por trás do incidente têm as mãos dos Estados Unidos e Japão, países que "querem frear a China".

Tampouco é o melhor momento para expor como potências multilaterais no caso dos outros membros do Brics, que passaram por momentos de recessão econômica nos últimos dois anos e pelo menos no caso brasileiro e no russo parecem já em recuperação, ainda que persistam as dúvidas.

O presidente brasileiro, de fato, está tão interessado na cúpula como nas reuniões bilaterais com o seu colega chinês, a quem apresentará o novo programa de privatizações que seu país vai iniciar.

Ainda que não seja parte dos Brics, o México também abriga especial interesse em participar como convidado, já que solicitou no passado ser incluído no bloco.

Além disso, Peña Nieto poderia buscar nos Brics um plano B para diversificar o comércio mexicano perante o temor de que as ameaças do presidente americano, Donald Trump, se cumpram e os EUA deixem o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA).

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