Diplomata do Sri Lanka nega que tenha fugido do Brasil após denúncias

Nova Délhi, 2 set (EFE).- O ex-embaixador do Sri Lanka no Brasil, o general aposentado e ex-chefe do Exército Jagath Jayasuriya, negou os crimes de lesa-humanidade pelos quais foi denunciado no país sul-americano e na Colômbia, e também que tenha fugido após a apresentação da denúncia.

Jayasuriya, que era além disso embaixador concorrente na Colômbia, Peru, Chile, Argentina e Suriname, foi denunciado na segunda-feira por um grupo de ativistas liderados pelo Projeto Internacional da Verdade e Justiça (ITJP, em inglês) por crimes ocorridos durante a guerra que terminou em 2009 contra a guerrilha Tigres de Libertação da Pátria Tâmil (LTTE).

No entanto, Jayasuriya deixou na terça-feira o Brasil para retornar a Colombo, por ter, disse em uma entrevista publicada hoje pelo jornal "Daily Mirror" do Sri Lanka, "finalizado sua missão".

O general aposentado, que sucedeu como chefe do Estado Maior Sarath Fonseka, atual ministro de Desenvolvimento Regional, indicou que em 10 de julho foi instruído pelo Ministério de Assuntos Exteriores para que retornasse ao país antes do dia 31 do mês passado.

"Só quando cheguei ao Sri Lanka foi que soube a notícia quando o encarregado de negócios da nossa embaixada me contactou na manhã de 29", disse.

O diplomata e militar foi denunciado pelo ITJP como responsável "criminal individual como comandante de unidades que cometeram repetidos ataques contra hospitais, atos de tortura e violência sexual, desaparecimentos forçados e assassinatos extrajudiciais".

"Tenho o documento oficial enviado pelo comandante do Exército Fonseka na última parte da guerra dizendo que não tenho responsabilidade por operações militares", disse Jayasuriya, ao justificar sua inocência.

Precisamente ontem, Fonseka assegurou em Colombo que está disposto a prestar depoimento contra Jayasuriya já que tem informação de crimes supostamente ocorridos por sua brigada que não pôde investigar quando era chefe do Exército precisamente ao ser substituído por ele por decisão do então presidente Mahinda Rajapaksa.

"Quando era comandante, recebi certas queixas de crimes cometidos pela brigada de Jayasuriya, fundamentalmente referentes a crimes perpetrados contra os detidos durante a guerra", disse Fonseka em declarações publicada hoje pela imprensa local.

Na entrevista, Jayasuriya afirma que pediu uma reunião com o presidente, Maithripala Sirisena, e afirma que a acusação pode ser uma "tentativa de embarrar" seu nome para impedir de ser nomeado de novo embaixador.

Na quarta-feira passada, o Exército do Sri Lanka rejeitou as "falsas acusações" contra Jayasuriya assegurando que a "ideologia" do LTTE "ainda está viva e isso é o que vemos nestas alegações ".

O Governo da ilha, que está imerso em um processo para investigar os crimes de lesa-humanidade ocorridos durante a guerra civil, disse que não realizará investigações sobre acusações gerais contra ex-militares que não estejam baseadas em nenhum tipo de prova.

Sirisena prometeu em sua chegada ao poder em janeiro de 2015 investigar as violações dos direitos humanos durante a guerra civil no Sri Lanka, que de acordo com números extra-oficiais deixou entre 60 mil e 100 mil mortos.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos