Milhares de pessoas protestam na Argentina por jovem desaparecido há um mês

Buenos Aires, 2 set (EFE).- Milhares de pessoas protestaram na sexta-feira, em Buenos Aires, e em outras cidades da Argentina para exigir a aparição de Santiago Maldonado, de 28 anos, desaparecido em uma manifestação indígena há um mês, em um caso que saltou para a política e se transformou em assunto de interesse nacional.

Na concentração principal, na histórica Praça de Maio, em Buenos Aires, a tônica geral foram as acusações contra a Gendarmaria, a polícia de fronteiras que reprimiu com balas de chumbo e borracha a manifestação onde Maldonado foi visto pela última vez, e contra o Governo, especialmente a ministra da Segurança Nacional, Patricia Bullrich.

Em um discurso aos manifestantes, Sergio, irmão de Maldonado, pediu a renúncia de Bullrich e denunciou que o Governo "segue negando o desaparecimento forçado", uma qualificação já utilizada por amplos setores da política argentina.

O irmão do jovem disse que a família foi "maltratada" pelo Executivo, e "castigada com informações falsas" que só procuram criar "confusão", referindo-se às declarações de funcionário do governo que colocaram em dúvida esta versão e inclusive sugerem que Maldonado fugiu voluntariamente com intenções políticas.

"Queremos uma investigação séria e imparcial que examine a todo o pessoal de Gendarmaria que atuou", pediu o irmão do desaparecido, antes de ser interrompido pelos manifestantes com gritos de "assassinos, assassinos".

Enquanto o governo argentino pede prudência e respeito à investigação judicial, a cunhada de Santiago, Andrea Antico, acusou o governo de "encobrir a Gendarmaria desde o início" e assegurou que a família só recebe "indiferença" por parte da Justiça.

Boa parte dos que exigiram a aparição do jovem apontaram diretamente para o governo, como a ex-ministra Teresa Parodi, que considerou a questões da Agência Efe que houve uma "ordem para reprimir".

No mesmo sentido se manifestou na quinta-feira a ex-presidente Cristina Kirchner, quando perguntada "o que mudou" na Gendarmaria, que é a mesma hoje que em 2015 - ano em deixou o poder -. "Mudou o quem dá as ordens", afirmou.

Além disso, o "caso Maldonado", que motivou manifestações inclusive em outros países, trouxe à tona outros problemas, como a dos indígenas do sul da Argentina, a causa pela que protestava o desaparecido na região de Esquel, província de Chubut.

O ativista indígena e cantor Rubén Patagonia, presente na manifestação para "pôr um freio a toda a violência e repressão que pode vir" contra a sua comunidade, declarou que a polícia "pisoteou lugares muito espirituais" com as suas atuações no último mês na região.

Por sua parte, o governo de Mauricio Macri tentou encerrar a polêmica, concordando em criar um grupo de investigação independente, que contará com a ajuda da ONU, ambos os pedidos da família Maldonado.

Apesar os esforços do governo para terminar esta situação, após os protestos de sexta aconteceram ataques contra sedes da Gendarmaria, tanto na capital do país como na região de El Bolsón, na Patagônia, onde foram lançados coquetéis molotov contra as dependências policiais.

Além disso, após o término da manifestação no centro de Buenos Aires, foram registrados tumultos entre manifestantes e a polícia, que respondeu aos lançamentos de pedras com balas de borracha.

O saldo dos incidentes foi de uma dezena de detidos e um agente ferido, segundo a agência estatal de notícias "Télam".

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