Hafter proíbe governo reconhecido pela ONU de exercer funções na Líbia

Trípoli, 3 set (EFE).- O marechal Khalifa Hafter, homem forte do leste de Líbia, endureceu seu pulso com o Governo respaldado pela ONU em Trípoli, ao qual proibiu de exercer suas funções em todas as zonas sob seu controle.

Hafter assinou na sexta-feira um documento neste sentido em resposta à decisão do presidente do citado Governo, Fayez al-Sarraj, de designar Faraj Eqaim, um conhecido senhor da guerra e líder tribal, novo vice-ministro de Interior.

"A nomeação atenta contra a segurança nacional. Supõe uma tentativa de quebrar com as instituições militares do leste e está induzido pela Irmandade Muçulmana e grupos terroristas", afirmou.

Por isso, foi ordenado a todos os chefes militares e forças armadas que impeçam que os responsáveis do Governo de Al Sarraj exerçam suas funções nas áreas sob seu controle, explica a circular divulgada neste domingo pela imprensa local.

"Esta norma deve ser cumprida inclusive através da força", diz a nota, cujo conteúdo ameaça aumentar ainda mais a brecha entre os dois principais adversários no conflito líbio.

A milícia liderada por Eqaim, chamada "Força de Segurança especial de Benghazi", faz parte da chamada "Operação Dignidade", a plataforma militar formada em 2014 pelo Governo em Tobruk para libertar a referida cidade, sob o comando do próprio Hafter.

Uma fonte de Segurança próxima a Eqaim precisou à Agência Efe que este será integrado a um novo centro militar de operações que inclui as regiões do leste e que será dependente do Ministério de Segurança, sem relação alguma com Hafter.

O marechal, que controla cerca de 70% do território líbio - incluídos os principais enclaves petroleiros - não reconhece o governo de Al Sarraj, imposto pela ONU após forçar em dezembro de 2015 o acordo de reconciliação em Skhirat.

Apoiado na superioridade militar - fruto da ruptura do embargo de armas por parte da Rússia, Egito e Arábia Saudita -, o general forçou um novo processo de diálogo que ainda não rendeu frutos.

Seis anos após a Otan contribuir para a queda de Muamar Gadafi, a Líbia é um estado falido, vítima do caos e da guerra civil, no qual dois governos disputam o poder, um no oeste sustentado pela ONU e outro em Tobruk (leste) sob liderança de Hafter.

A isso se soma a poderosa cidade-estado de Misrata, principal porto comercial do país, e dezenas de grupos armados que todos os tipos que mudam frequentemente de alianças.

A situação favoreceu o desenvolvimento de máfias dedicadas tanto ao contrabando de petróleo como de armas, drogas e inclusive de pessoas.

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