Mais de 70 mil rohingyas já chegaram a Bangladesh desde 25 de agosto

Daca, 3 set (EFE).- O êxodo dos rohingyas que fogem da violência no noroeste de Mianmar segue aumentando e já são mais de 70 mil os membros desta minoria muçulmana que entraram em Bangladesh, informou neste domingo o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur).

"Até hoje há 73 mil novas chegadas a Cox's Bazar (sudeste de Bangladesh) desde que a violência aumentou em 25 de agosto", indicou à Agência Efe um porta-voz do Acnur em Bangladesh, Joseph Surjamoni Tripura.

A fonte apontou que os rohingyas estão se refugiando nos campos habilitados para os membros desta comunidade na zona, em assentamentos improvisados e nas aldeias.

A chegada em massa de dezenas de milhares de rohingyas provenientes do estado Rakhine, no noroeste de Mianmar, começou e, 25 de agosto depois que ocorreu um ataque do insurgente Exército de Salvação Rohingya de Arakan (ARSA) contra postos policiais e militares na zona que deixou mais de 100 mortos (a maior parte guerrilheiros).

As autoridades birmanesas confirmaram mais de 100 mortos em Rakhine, a maioria insurgentes, de acordo com a imprensa local, e mais de 50 faleceram na tentativa de chegar a Bangladesh, segundo fontes deste último país.

Organizações não-governamentais denunciaram violações dos direitos humanos e execuções extrajudiciais, e a ONU expressou na sexta-feira sua "profunda preocupação" pelos relatórios sobre a violência perpetrada pelas forças de segurança de Mianmar ao mesmo tempo que pediu calma para "evitar uma catástrofe humanitária".

"Todas as escolas estão cheias de refugiados", indicou à Efe Amir Hakim, um professor em uma escola privada que está servindo de refúgio no distrito de Cox's Bazar.

"No sábado, 131 novos chegados se refugiaram ali. Estamos recolhendo arroz e lentilhas em aldeias para alimentá-los pelo menos por um dia", acrescentou.

Este novo êxodo ocorre nove meses depois que pelo menos 70 mil rohingyas fugiram da mesma zona em meio a ataques indiscriminados do Exército após outro ataque de insurgentes dessa minoria, uma campanha militar denunciada pela ONU e ONGs pelo vulnerações dos direitos humanos.

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