Oposição queniana não se apresentará a eleições "organizadas por ladrões"

Nairóbi, 3 set (EFE).- A principal coalizão opositora no Quênia, a Super Aliança Nacional, reiterou neste domingo que não se apresentará às próximas eleições se estas forem "organizadas pelos ladrões" da atual Comissão Eleitoral, afirmou o líder do grupo, Raila Odinga, em um comício.

"Nossos votos são sagrados e não podem ser guardados pelos mesmos que os roubaram em nome do Jubileu", acrescentou Odinga, acusando o partido governante de estar por trás das irregularidades que fizeram com que a Suprema Corte anulasse os resultados das eleições de 8 de agosto e convocasse um novo pleito.

A Super Aliança Nacional só se apresentará às eleições se houver garantias de que "os supervisores do processo não vão favorecer qualquer uma das partes", segundo o jornal "The Star".

Odinga, que acredita que a "fraude eleitoral foi muito longe no Quênia", afirmou que a sentença do Supremo servirá para que "ninguém volte a sufocar a democracia".

O veterano opositor insistiu que seu partido ganhou as eleições com 1,5 milhão de votos, que teriam sido subtraídos através de um algoritmo instalado nos servidores da Comissão Eleitoral por hackers para revertê-los para o atual presidente, Uhuru Kenyatta, que foi reeleito.

Diante da possibilidade de formar um governo de coalizão com o partido governante, tal e como ocorreu após os episódios de violência suscitados depois das eleições de 2007, na qual perdeu para o presidente Mwai Kibaki, Odinga descartou a ideia e se mostrou contrário a "compartilhar o poder com ladrões".

A campanha começou após a decisão da Suprema Corte, que na sexta-feira anulou os resultados das eleições e ordenou a convocação de um novo pleito em 60 dias devido às "irregularidades" cometidas pela Comissão Eleitoral, que "afetaram a integridade do processo".

Imediatamente após a decisão, o número 2 da coalizão Super Aliança Nacional, Kalonzo Musyoka, assegurou que a Comissão carece da capacidade "para organizar eleições livres, justas e credíveis", apesar de o Supremo ter solicitado à mesma instituição a realização do novo pleito "em estrita conformidade com a Constituição".

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos