Teste nuclear norte-coreano foi mais forte que anterior, aponta CTBTO

(Atualiza com declarações do secretário-geral)

Viena, 3 set (EFE).- A Organização do Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares (CTBTO, por sua sigla em inglês) confirmou neste domingo que detectou um "inusual evento sísmico" na Coreia do Norte, com uma magnitude "mais forte que nos anteriores testes nucleares declarados" do país asiático.

Mais de cem estações de medição deste organismo autônomo da ONU estão recopilando dados para analisar a detonação, precisou a CTBTO em um comunicado enviado em Viena.

A primeira análise dos dados recebidos pelo seu centro de dados indica que houve duas detonações, uma mais forte às 3h30 GMT e uma menos forte 8,5 minutos mais tarde, explicou a CTBTO.

"O evento parece ter sido maior que o registrado em setembro do ano passado", precisou a organização da ONU, dizendo que a magnitude do tremor foi de 5,8 graus na escala de Richter.

Em meio à mais recente tensão, a Coreia do Norte assegurou hoje que detonou com "total sucesso" uma bomba de hidrogênio que pode ser colocada em um míssil intercontinental.

Em uma coletiva de imprensa convocada após uma reunião de emergência com os países signatários do tratado da CTBTO, o secretário-geral da organização, Lassina Zerbo, lembrou hoje que a Coreia do Norte está acelerando e aperfeiçoando seus testes atômicos.

Zerbo apontou que o regime de Pyongyang passou a realizar testes anuais, quando antes realizava a cada três anos.

"Isso é um indício da seriedade de seu programa nuclear", manifestou Zerbo perante a imprensa na sede em Viena da ONU.

Por outro lado, destacou que os especialistas da CTBTO seguem analisando os dados sobre o segundo tremor registrado hoje, sem poder determinar por enquanto se ocorreu uma fuga de material radiativo.

"Esperamos que as nossas estações possam detectar algo nos próximos dias. No passado, detectamos radionuclídeos (partículas radiativas) em eventos muito menos fortes", assegurou Zerbo.

Em todo caso, o responsável da CTBTO lembrou que a missão da sua organização se limita a fornecer informação e dados confiáveis a todos os países signatários, sem interpretações sobre sua origem.

Quanto aos seguintes passos nesta crise, Zerbo lembrou que as sanções internacionais "não estão detendo" as atividades nucleares da Coreia do Norte.

"Para onde vamos agora em diante? Essa é a pergunta. Muitos países pedem um caminho diplomático e político", assegurou.

A CTBTO, à qual a Coreia do Norte não aderiu, dispõe de uma rede de cerca de 300 sofisticadas estações de medição repartidas por todo o planeta, com as quais detecta em tempo real qualquer detonação ou explosão inusual.

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