Teste nuclear norte-coreano ofusca início da cúpula dos Brics

Antonio Broto

Xiamen (China), 3 set (EFE).- O teste nuclear da Coreia do Norte ofuscou neste domingo o começo da cúpula dos países emergentes Brics, enquanto o presidente chinês Xi Jinping pediu unidade dos países em desenvolvimento para alcançar a paz e a estabilidade.

Xi destacou que Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul devem lutar contra o terrorismo "de modo que os terroristas não encontrem lugar para se esconder" e criar as condições de diálogo suficientes para resolver conflitos como o da Síria, Líbia e da Palestina "para que um dia os refugiados possam retornar".

Apesar dessas chamadas à paz mundial, o líder comunista não mencionou as incertezas que na região geraram os frequentes testes de mísseis e atômicos da Coreia do Norte, mas simultaneamente a seu discurso em Xiamen o Ministério de Relações Exteriores chinês condenava o teste nuclear de hoje.

A China "condena energicamente e denuncia firmemente" o novo teste nuclear realizado hoje pela Coreia do Norte, expressou em um comunicado a Chancelaria do regime comunista, que também pediu que Pyongyang retome o diálogo.

O teste atômico foi realizado "apesar da oposição geral", acrescentou a nota oficial, que pede "firmemente" à Coréia do Norte que leve em conta "a sólida vontade" da comunidade internacional para conseguir a desnuclearização da peninsula da Coreia.

Além disso, a China pediu a Pyongyang que respeite as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, "deixe de tomar decisões equivocadas" e volte "de forma real ao caminho do diálogo".

Alheio a esse conflito, o presidente Xi insistiu em Xiamen na necessidade de união dos cinco países dos Brics além das outras cinco nações emergentes que participam nestes dias como convidadas na cúpula (México, Tailândia, Guiné, Tajiquistão e Egito).

O governante chinês reivindicou o papel das potências emergentes Brics neste primeiro ato da cúpula, uma reunião de empresários onde lembrou que na década de existência do bloco as cinco nações se transformaram "em um importante fator da economia mundial".

Perante a presença dos presidentes do Brasil (Michel Temer) e da África do Sul (Jacob Zuma), Xi reconheceu as dúvidas internacionais perante a unidade dos países Brics, mas insistiu na sua validade como bloco.

"Há quem diz que os países emergentes e em desenvolvimento estão em retrocesso, e que os Brics perderam o seu brilho..., é certo que nos afetaram fatores internos e externos, que encontramos vento em contra, mas o potencial segue sendo o mesmo", assegurou o dirigente chinês.

Nos últimos 10 anos, o PIB combinado dos cinco países cresceu 179%, o comércio 94% e a população urbana 28%, lembrou.

Isso "contribuiu para estabilizar a economia mundial e devolvê-la ao crescimento e beneficiar a 3 bilhões de pessoas" que formam a população combinada dos cinco países, sublinhou Xi.

"Seguimos tendo plena confiança e é o momento de desdobrar as velas e embarcar em uma nova viagem, uma segunda década dourada para a cooperação dos Brics", acrescentou Xi.

Minutos após o discurso do governante chinês chegou a Xiamen o presidente russo, Vladimir Putin, e amanhã os cinco líderes participarão da primeira reunião propriamente dita.

É esperado que Putin e Xi tratem sobre o conflito norte-coreano em uma possível reunião bilateral à margem da cúpula.

Com a lema de "Brics: Stronger Partnership for a Brighter Future" (Uma colaboração mais forte para um futuro mais brilhante), são esperados cerca de 1,2 mil participantes, entre políticos, funcionários, empresários e outras personalidades que buscarão estreitar os laços entre as suas nações.

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