Alvo de denúncias, vice-presidente do Equador planeja contra-ataque judicial

Fernando Arroyo.

Quito, 4 set (EFE).- O vice-presidente do Equador, Jorge Glas, alvo de denúncias de corrupção, afirmou nesta segunda-feira que provará sua inocência e que estuda a possibilidade de entrar, no momento certo, com ações contra os que agora o difamam.

Em entrevista à Agência Efe, Glas não quis especificar nomes, mas citou entre possíveis vítimas de seus futuros processos representantes da oposição, veículos de imprensa e até mesmo alguns aliados que duvidaram de sua honestidade.

Há uma semana, após receber autorização do Parlamento do Equador, a Corte Nacional de Justiça envolveu formalmente Glas no caso das propinas pagas pela Odebrecht e o proibiu de deixar o país.

"Estou acusado para ser investigado", disse Glas.

Segundo o vice-presidente, não há "uma única prova" que comprove seu envolvimento no esquema de corrupção da construtora brasileira. Glas também criticou a promotora Diana Salazar por publicar um relatório com o pedido de sua vinculação ao processo com "sérios problemas jurídicos"

Para Glas, tudo faz parte de uma suposta "perseguição política" promovida pela oposição contra ele há dois anos, que seria apoiada por vários veículos de imprensa. Alguns deles, inclusive, teriam cancelado com ele entrevistas previamente acertadas.

"É um linchamento midiático, um ataque permanente e constante com o qual a oposição busca me destruir pessoalmente e como pessoa por ter sido vice-presidente no governo de Rafael Correa", disse Glas, citando o ex-presidente do Equador.

Glas, no entanto, disse que não se curvará. Não só provará sua inocência à Justiça, mas responderá com "ações penais" àqueles que o acusaram falsamente de estar envolvido em atos de corrupção.

"Meu país não merece ter um vice-presidente sob suspeita de corrupção, tampouco merece meu partido, meus filhos, minha esposa, minha mãe, minha família", disse Glas.

"Deve imperar no Equador o estado de direito e não o estado de opinião da imprensa", completou o vice-presidente.

Sobre os alertas de que poderia fugir do país, Glas reiterou que se defenderá no sistema judiciário equatoriano e que a vinculação ao caso Odebrecht é uma "nova tribuna" para falar sobre sua inocência.

Glas também falou sobre o novo presidente do Equador, Lenín Moreno, que tentou se distanciar do vice nas últimas semanas, tanto pelo processo judicial como por divergências políticas.

As diferenças têm se aprofundado sobretudo porque Glas exigiu de Moreno um maior comprometimento com o governo de Correa.

A disputa pelo poder cresceu depois de o presidente ter retirado Glas de todas as funções e ter criticado algumas atitudes tomadas na administração do antecessor.

Para Glas, essa atitude foi a que provocou a saída dos conselheiros presidenciais Virgilio Hernández e Ricardo Patiño, e da secretária de Gestão Política Paola Pabón. Todos renunciaram em sinal de lealdade para Correa.

No entanto, apesar dos problemas no interior do governo, o vice-presidente afirmou que não há fratura na Aliança País. No entanto, Glas diz que há "confusão" pelo enfrentamento verbal que envolveu os mais importantes líderes do partido: Moreno e Correa.

Para provar sua lealdade, Glas destacou os avanços do governo de Correa, sobretudo na execução de grandes obras de infraestrutura - hidroelétricas, estradas - e gestão social - educação e saúde.

Só na geração elétrica, segundo o vice-presidente, há uma economia de US$ 700 milhões com a construção de usinas hidroelétricas que permitiram ao Equador exportar energia. Antes, explica Glas, o país vivia blecautes de até 16 horas por dia.

Além disso, Glas se disse preocupado pelo fato de o governo de Moreno não ter tomado medidas em relação à balança de pagamentos, para aproveitar que a economia do país vive um momento de melhor liquidez e que os indicadores indicam uma recuperação.

O vice-presidente também afirmou estar surpreso pelo plano econômico apresentado durante as eleições pelo opositor Guillermo Lasso, derrotado por Moreno, ter sido levado em conta pelo governo.

"Esperamos que isso não ocorra e que esse plano não seja aplicado", disse Glas.

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