Grupo radical indonésio enviará voluntários a Mianmar para defender rohingyas

Bangcoc, 4 set (EFE).- A Frente de Defensores do Islã (FDI), um grupo sunita radical envolvido em violência sectária na Indonésia, abriu um registro para enviar voluntários a Mianmar para defender a minoria muçulmana rohingyas.

O presidente do FDI na cidade de Klaten, Suyadi al Abu Fatih, explicou que os interessados devem preferencialmente ter entre 21 e 40 anos, e podem encontrar o formulário de inscrição nos seus escritórios ou baixá-lo pelo Facebook, segundo a imprensa indonésia.

Suyadi indicou que os "voluntários" receberão treinamento da organização, fundada na Indonésia em 1998, antes de viajarem a Mianmar, mas advertiu que terão que custear a transferência e a permanência no país.

Centenas de indonésios, a maioria mulheres, exigiram hoje perante a embaixada de Mianmar em Jacarta a cessação da perseguição dos rohingyas pelas forças de segurança, em resposta aos ataques de insurgentes dessa minoria em 25 de agosto no estado de Rakain, no oeste do país.

A manifestação ocorreu um dia depois que, durante um protesto similar, um coquetel molotov foi lançado contra a embaixada, em incidente que não deixou feridos.

A ministra de Relações Exteriores da Indonésia, Retno Marsudi, abordará nesta segunda-feira este assunto com a colega e chefe de governo de Mianmar, a nobel da paz Aung San Suu Kyi.

Retno afirmou em comunicado que a visita de um dia a Mianmar busca "ajudar a superar a crise humanitária" que obrigou dezenas de milhares de rohingyas a fugir para Bangladesh, país que os considera estrangeiros.

A chefe da diplomacia indonésia tem uma reunião prevista para a terça-feira em Bangladesh para tratar do mesmo assunto com as autoridades do país.

Pelo menos 87 mil rohingyas entraram em Bangladesh nos últimos dez dias, dos quais 81 mil se encontram em campos improvisados que foram sendo criados conforme chegavam, informou à Agência Efe uma fonte da ONU nesse país.

O Exército de Salvação Rohingya de Arakan (ARSA) assumiu a autoria dos múltiplos ataques a postos militares e controles policiais ocorridos no dia 25 de agosto em Rakain e que geraram a violenta resposta das forças de segurança.

O ARSA matou nove policiais no ataque a três postos fronteiriços em 9 de outubro de 2016 e desencadeou uma violenta operação de represália do Exército de Mianmar.

A ONU e várias organizações condenaram a operação, na qual foram denunciados assassinatos, saques e violações dos direitos civis, motivos que levaram cerca de 74 mil rohingyas a fugir para Bangladesh.

Mais de um milhão de rohingyas vivem em Rakain vítimas de uma crescente discriminação desde o surto de violência sectária de 2012, que deixou pelo menos 160 mortos e cerca de 120 mil pessoas confinadas em 67 campos de deslocados.

As autoridades de Mianmar não reconhecem a etnia rohingya, consideram seus membros imigrantes bengalis e os impõem múltiplas restrições, incluindo a de movimento.

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