Janot abre investigação sobre delação premiada da JBS que cita Temer

Brasília, 4 set (EFE).- O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, anunciou nesta segunda-feira que abriu uma investigação para apurar indícios de "omissão de informações" no acordo de delação premiada firmado por três dos sete delatores da JBS, que foi fundamental na abertura de inquérito contra o presidente Michel Temer por suspeitas de corrupção passiva e obstrução de Justiça.

"Se ficar provada qualquer ilicitude, o acordo de colaboração premiada poderá ser rescindido. Poderá chegar à rescisão", destacou Janot em entrevista coletiva.

O procurador-geral, que deixará o cargo no próximo dia 17 de setembro, declarou em repetidas ocasiões que a possível rescisão do acordo "não invalida nenhuma prova" e todas elas seguirão sendo "válidas", o que não impedirá "novas denúncias" em relação a esse caso.

"A eventual rescisão do acordo não invalida as provas até então oferecidas. Conforme a lei que disciplina a delação premiada, se a culpa do colaborador ensejar a rescisão do acordo, ele perde todos ou alguns dos benefícios, e o Estado aproveita todas as provas apresentadas pelos colaboradores", detalhou.

A abertura desta investigação, que abre a porta a uma possível anulação dos benefícios conseguidos por Joesley e Wesley Batista, irmãos e donos da JBS, e de outros diretores da empresa se fundamenta em um novo áudio de quatro horas que cita a própria Procuradoria-Geral da República e o Supremo Tribunal Federal.

"Áudios gravados com conteúdo grave foram obtidos pelo MPF (Ministério Público Federal) na semana passada, precisamente quinta-feira, às 19h. A análise de tal gravação revelou diálogo entre dois colaboradores com referências indevidas à PGR e ao STF", declarou Janot.

O procurador-geral citou Marcelo Miller, seu antigo assessor, que foi atacado pelo próprio Temer um dia após ser denunciado e que foi acusado de ganhar "milhões" em um escritório de advocacia que defende os donos de JBS e, além disso, pactuou o acordo de cooperação judicial dessa empresa.

"Marcelo Miller foi auxiliar do gabinete do procurador-geral pelas suas qualidades técnicas. Se não cumpriu a lei deverá pagar por isso", afirmou Janot.

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