ONU estuda resolução mais forte contra Pyongyang após teste nuclear

Nora Quintanilla.

Nações Unidas, 4 set (EFE).- A ONU estuda uma nova resolução contra a Coreia do Norte após o teste nuclear que o regime de Pyongyang realizou no domingo, menos de um mês após ter lhe imposto suas sanções mais fortes até essa data.

Em uma reunião de urgência do Conselho de Segurança realizada nesta segunda-feira, o secretário-geral adjunto da ONU para Assuntos Políticos, Jeffrey Feltman, pediu uma resposta "completa" perante a "perigosa provocação" norte-coreana, após o que os Estados Unidos anunciaram que distribuiriam um documento com medidas adicionais.

Feltman expressou o alarme da comunidade internacional perante o último teste nuclear, no qual Pyongyang supostamente detonou uma bomba de hidrogênio, e considerou que é "profundamente desestabilizador para a segurança regional e internacional".

Ao final da reunião, a décima convocada de urgência este ano pela escalada armamentista do país asiático e a segunda em menos de uma semana, a embaixadora americana, Nikki Haley, urgiu ações com rapidez perante informações segundo as quais a Coreia do Norte planeja outro teste balístico de longo alcance.

Haley apressou os estados-membros do Conselho a negociar nesta semana o documento de resolução proposto pelo seu país para que seja votado ainda hoje e, ainda que não tenha detalhado seu conteúdo, outros diplomatas concordaram com a ideia.

Neste sentido, o embaixador da Coreia do Sul, Cho Tae-yul, que foi convidado à reunião, defendeu "medidas muito mais duras, em correspondência com a magnitude e a gravidade do teste", e que forcem Pyongyang a voltar ao diálogo.

Segundo Cho, o novo pacote deve incluir medidas "ofensivas e robustas como limitar a provisão de petróleo e produtos derivados" à Coreia do Norte, além de cortar os fundos potencialmente destinados ao desenvolvimento de armas de destruição em massa.

"Os EUA deixaram claro que queremos uma nova resolução forte, muito rápido, temos que trabalhar nisso e neste momento não entrarei em detalhes, mas estamos abertos a diferentes adições", disse o embaixador japonês, Koro Bessho, na saída da reunião.

O seu homólogo britânico, Matthew Rycroft, apontou antes da entrevista que havia "mais setores da economia que podem ser sancionados" e que se pode fazer mais para "evitar que o regime da Coreia do Norte exploda trabalhadores" que viajam para outros países.

No último dia 5 de agosto, o Conselho de Segurança aprovou a resolução mais severa contra o país e vetou suas exportações de carvão, ferro, chumbo, peixes e mariscos, entre outras medidas, mas hoje Haley defendeu dar outro passo e aplicar sanções "o mais fortes possíveis".

Além disso, disse que os EUA considerarão os países que façam negócios com a Coreia do Norte entes que "prestam ajuda às temerárias e perigosas intenções nucleares" de Pyongyang, uma ideia similar à expressada pelo presidente Donald Trump, que cogita suspender o comércio com eles.

Haley assinou embaixo também das palavras do chefe do Pentágono, James Mattis, que assegurou que os EUA preparariam uma "grande resposta militar" à Coreia do Norte perante "qualquer ameaça" que faça ao país ou aos seus aliados.

A perspectiva de uma nova resolução foi recebida com prudência pela Rússia, cujo embaixador na ONU, Vasily Nebenzya, disse aos jornalistas ao término da reunião que "é preciso ver o que contém" o documento americano, mas se mostrou cético sobre a eficácia das sanções.

"As resoluções focadas apenas em sancionar à Coreia do Norte não funcionaram muito bem anteriormente", indicou o diplomata, que apostou em soluções "diplomáticas e políticas" acima das militares.

Durante a reunião, a China, que junto com a Rússia tem direito de veto nas votações do Conselho de Segurança, também pediu que se evite uma escalada de tensões na península coreana e seu embaixador, Liu Jieyl, garantiu que "nunca permitirá o caos e a guerra" na área. EFE

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(foto) (vídeo)

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