ACNUR diz que mais de 123 mil rohingyas cruzaram fronteira com Bangladesh

Teknaf (Bangladesh), 5 set (EFE).- Pelo menos 123 mil rohingyas cruzaram a fronteira de Bangladesh fugindo da violência no noroeste de Mianmar, desde o último dia 25 de agosto, informou nesta terça-feira uma fonte o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).

O porta-voz do ACNUR em Bangladesh, Joseph Surjamoni Tripura, disse à Agência Efe que os recém-chegados, mais de 30 mil nas últimas 24 horas, estão habilitando acampamentos improvisados, com a exceção de 6 mil que puderam encontrar abrigo com familiares nos campos de refugiados permanentes no distrito de Cox's Bazar (sudeste).

O ritmo de chegada dos membros desta comunidade, onde Mianmar não reconhece a nacionalidade e Bangladesh raramente dá status de refugiado, aumenta nas últimas horas.

Na região de Teknaf, no extremo sudeste do país, os botes chegam constantemente lotados de gente que alcançam a costa pelo Golfo de Bengala.

Da mesma forma que ocorre em cruzamentos terrestres como Ghum Dhum, em Teknaf, hoje não há oposição por parte das autoridades com a entradas dos refugiados, ainda que ontem a Guarda Costeira de Bangladesh devolveram à Mianmar, mais de 2 mil rohingyas que tinham chegado na ilha de Saint Martin.

O êxodo de rohingyas começou no dia 25 de agosto, após um ataque de um grupo insurgente dessa comunidade no estado Rakhine (noroeste) contra policiais, que foi respondido com violência pelo Exército de Mianmar, segundo narram os refugiados.

Enquanto isso, a pressão internacional cresce sobre a Conselheira de Estado e Prêmio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, líder de fato de Mianmar, para impedir as violações dos direitos humanos.

Entre aqueles que pediram para Kyi condenar o que vem acontecendo, está o paquistanês Malala Yousafzai, também vencedor do Nobel da Paz, que pediu publicamente a suspensão da violência contra os rohingyas.

Se calcula que mais de um milhão de rohingyas que vivem no estado Rakhine, onde já se produziu outra campanha do Exército de Mianmar há nove meses, após um ataque insurgente similar que levou então a mais de 70 mil membros desta minoria a buscar refúgio no país vizinho.

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