Após protestar contra racismo, Kaepernick não consegue clube na NFL

Alfonso Fernández.

Washington, 5 set (EFE).- O quarterback Colin Kaepernick, que protestou durante a execução do hino americano em uma partida de futebol americano por causa da violência racial nos Estados Unidos, enfrenta uma situação paradoxal: enquanto o Museu de História Afro-Americana recebeu vários de seus itens pessoais, franquias da NFL não o contratam por "antipatriotismo".

"Ele deveria estar ao lado de Muhammad Ali. É o Ali da nossa geração", afirmou o sociólogo Harry Edwards sobre o ex-jogador do San Francisco 49ers, de 29 anos, que não entrou em campo ao longo de toda a temporada passada.

O Museu de História Afro-Americana, inaugurado em 2016 pelo então presidente Barack Obama, terá algumas das camisas e capacetes que Kaepernick utilizou ao longo da carreira na próxima mostra sobre o movimento "Black Lives Matter".

O jogador protagonizou uma polêmica no início do ano passado, por, ao invés de ouvir de pé o hino dos Estados Unidos, se ajoelhar para protestar contra os recorrentes casos de violência policial contra cidadãos negros.

"Não vou me levantar para mostrar orgulho pela bandeira de um país que oprime as pessoas negras. Para mim, isso é mais importante que o futebol. Seria egoísta de minha parte olhar para outro lado. Há cadáveres nas ruas", disse na época o quarterback dos 49ers.

Destaque da ida da franquia de San Francisco ao Superbowl, em 2012, encerrando jejum de 18 anos, Kaepernick está sem equipe desde o meio do ano passado. Alguns dirigentes admitiram que a contratação do jogador poderia ser carregada de um simbolismo negativo, como John Mara, coproprietário do New York Giants.

"Em todos os anos nessa liga, nunca recebi tantas cartas cheias de paixão como com esse tema. Se qualquer um dos nossos jogadores fizesse algo assim, não voltaríamos para outro jogo dos Giants", admitiu.

Outras franquias, como o Baltimore Ravens, por exemplo, também descartaram a possibilidade de contratar Kaepernick, mas a diretoria do time do estado de Maryland preferiu evitar entrar no debate sobre os atos do quarterback, justificando pela falta de encaixe no plano de jogo.

Enquanto isso, o jogador mantém a posição, com discurso firme. Em 4 de julho deste ano, no Dia da Independência dos Estados Unidos, Kaepernick viajou para Gana e publicou um vídeo nas redes sociais, renovando as críticas.

"Como podemos verdadeiramente comemorar a independência em um dia em que intencionalmente a dos nossos ancestrais foi roubada? Para encontrar minha independência, vim para casa", disse.

O futebol americano tem grande peso na sociedade americana, por isso os protestos de Kaepernick tiveram muita repercussão em um momento de intensificação da tensão racial, como, por exemplo, com a manifestação de neonazistas em Charlottesville que terminou com a morte de uma mulher, atropelada por um supremacista branco.

As declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, não ajudaram a acalmar os ânimos. O mandatário evitou criticar os protestos contra negros e imigrantes na Virgínia.

Kaepernick, que revelou não ter votado nas últimas eleições presidenciais, realizadas em novembro do ano passado, classificou o vencedor do pleito como um "racista aberto", o que rendeu uma resposta de Trump no Twitter.

"Talvez o que ele deveria fazer é buscar outro país que ele goste mais. Deixemos que tente, mas não vai acontecer", disse o presidente dos EUA.

Na semana passada, milhares de torcedores foram para a frente dos escritórios da NFL, em Manhattan, para exigir que o quarterback fosse contratado antes do início da temporada. Como a liga nesse ano começa nesta quinta-feira, 7 de setembro, as chances parecem cada vez mais remotas.

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