Boko Haram assassinou 381 civis na Nigéria e em Camarões nos últimos 5 meses

Nairóbi, 5 set (EFE).- Pelo menos 381 civis foram assassinados pelo grupo terrorista Boko Haram desde abril em Camarões e na Nigéria, devido a uma intensificação da campanha de terror e um aumento dos atentados suicidas com explosivos na região do Lago Chade, informou a Anistia Internacional (AI) nesta terça-feira.

O aumento do número de mortes de civis no extremo norte de Camarões e nos estados de Borno e Adamawa na Nigéria se deve à cada vez mais comum prática de ataques suicidas, frequentemente com mulheres e crianças obrigadas a carregar explosivos em áreas de grande circulação.

Os ataques do Boko Haram na Nigéria causaram pelo menos 223 vítimas civis desde abril e em agosto o número de mortes chegou a 100 pessoas.

A organização também registrou em agosto dois relatórios de ataques a povoados nos quais combatentes do Boko Haram encurralaram civis, atiraram, incendiaram e saquearam casas, lojas e mercados.

Em Camarões, o Boko Haram matou pelo menos 158 civis no mesmo período, quatro vezes mais que nos cinco meses anteriores, e desde abril os jihadistas cometeram 30 atentados suicidas, mais de um por semana segundo cálculos da AI.

A intensificação do grupo em Camarões pode ser uma consequência do deslocamento de combatentes do Boko Haram da floresta de Sambisa - situada na Nigéria e de onde as forças nigerianas expulsaram o grupo em dezembro - até as montanhas de Mandasse, em Camarões.

"Esta onda de violência do Boko Haram ressalta a urgente necessidade de proteção e ajuda para milhões de civis na região do Lago Chade. Os governos de Nigéria, Camarões e outros devem agir rapidamente para proteger estas pessoas", disse o diretor da AI para a África Ocidental e Central, Alioune Tine.

Pelo menos 2,3 milhões de pessoas se deslocaram em toda a região, incluindo 1,6 milhões refugiadas e internamente deslocadas na Nigéria e 303 mil em Camarões. Outras 374 mil estão deslocadas em Chade e Níger.

Mais de sete milhões de pessoas em toda a região - cinco milhões na Nigéria e 1,5 milhões em Camarões - enfrentam uma grave escassez de alimentos. Cálculos indicam que 515 mil meninos e meninas sofrem desnutrição aguda severa, mais de 85% deles na Nigéria.

O recente aumento da insegurança dificultou e inclusive impossibilitou as operações de ajuda humanitária, deixando zonas como o nordeste da Nigéria totalmente inacessíveis, denunciou AI em comunicado.

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