Cidade holandesa denuncia prostituição e tráfico de drogas em escolas

Haia, 5 set (EFE).- O prefeito de Den Bosch, Tom Rombouts, denunciou que pelo menos duas menores de idade foram aliciadas por grupos de prostituição e tráfico de drogas nesta cidade do sul da Holanda em pleno começo do ano letivo, o que traz de volta o debate de um tema que preocupa há anos as autoridades do país.

O prefeito advertiu que "pode haver mais jovens abordadas por delinquentes para se envolver em atividades ilegais", mas explicou que "não costumam denunciá-los por vergonha ou por medo de quem se aproxima deles".

As autoridades holandesas localizaram as duas garotas em poder dos chamados "loverboys", definidos pela polícia em seu site como "homens mais velhos que enganam as garotas se fazendo passar por namorados para depois as obrigarem a se prostituir".

As estudantes voltaram às aulas de forma gradual no último dia 21 de agosto.

Rombouts explicou que a direção da escola onde elas estudam notou que as adolescentes estavam "com muita frequência com homens jovens em carros de luxo" e circulando perto do colégio.

As duas meninas afirmaram à direção que os jovens com os quais andavam naqueles veículos eram seus "amigos", mas os professores denunciaram a situação aos pais das alunas "diante da preocupação de que pudessem ser seus loverboys".

A escola também passou os números das placas dos carros diretamente à polícia de Den Bosch, que localizou um deles circulando pelo distrito de prostituição de Utrecht. Agentes pararam o veículo e descobriram as duas meninas dentro dele.

O prefeito lamentou que o motorista e o carona, que chegaram a ser detidos, acabaram liberados mais tarde, devido à recusa dos pais das meninas de apresentar uma denúncia formal contra eles por prostituição de menores.

"Não há provas suficientes para processá-los, mas os jovens já estão fichados", acrescentou Rombouts.

Uma jovem holandesa de 22 anos, que pediu para não ser identificada, contou à Agência Efe sobre sua experiência com um "loverboy", que foi detido pela polícia holandesa no ano passado, e por quem esteve "realmente apaixonada", obedecendo a suas ordens de se prostituir.

"Eu tinha 15 anos. Me chamou a atenção a popularidade que esse grupo de rapazes tinha, e eu queria ser como eles. Me entregaram a um homem muito mais velho, que primeiro me obrigou a vender drogas para ele e depois me prostituiu em carros. Passei assim dois anos", afirmou a jovem.

Ainda em processo de recuperação, ela lamenta que sua história continue se repetindo na Holanda "com dezenas de meninas" e pediu ao governo do país para "focar seus esforços na luta contra a prostituição de menores de idade e na recuperação das vítimas dos "loverboys".

A garota alertou que "os criminosos são muito escorregadios" e conseguem manter "enganadas e escondidas as meninas até que cheguem à maioridade", momento em que a prostituição se transforma em assunto legal na lei holandesa.

Em outras duas escolas de Den Bosch, as autoridades locais também estão investigando o uso de drogas entre os estudantes e fazem vigilância adicional com a presença de policiais em áreas frequentadas pelos alunos.

Segundo Rombouts, as autoridades localizaram os estudantes envolvidos na venda de drogas nos colégios, que estiveram trabalhando sob as ordens de traficantes.

Segundo o jornal holandês "Algemeen Dagblad", a polícia localizou um vídeo que circulava pelas redes sociais em que um jovem aparecia cheirando um pó branco.

A escola chamou o pai do jovem e ele deu os nomes de vários estudantes que também usavam drogas. Estes, por sua vez, deram o nome de um distribuidor que lhes vendia entorpecentes.

O homem foi detido e está sendo processado, ainda segundo o "Algemeen Dagblad".

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