Inventor diz que jornalista sueca morreu ao fechar escotilha de submarino

Em Copenhague

  • AFP

    A jornalista sueca Kim Wall

    A jornalista sueca Kim Wall

O inventor dinamarquês Peter Madsen afirmou nesta terça-feira (5) em um tribunal de Copenhague que a jornalista sueca Kim Wall, que teve parte do corpo encontrada há duas semanas no Mar Báltico, morreu ao cair por acidente no submarino no qual os dois viajavam e negou tê-la esquartejado.

Criador do submarino Nautilus, Madsen afirmou que segurava a escotilha, de 70 quilos, enquanto Wall subia as escadas, mas que não conseguiu se segurar, caiu em cima da repórter e a matou.

Após continuar navegando várias horas e enquanto pensava a possibilidade de suicidar, o inventor decidiu que não seria "decente" que Wall tivesse o submarino como túmulo. Por isso, arrastou o corpo e o jogou no mar.

As declarações foram dadas por Madsen durante uma audiência que avaliará se ele continuará em prisão preventiva. A juíza responsável pelo caso decidiu que o julgamento seria público.

"Escutei um som, o som de seu corpo caindo no fundo do submarino. A escotilha estava fechada, não a vi cair, só escutei o ruído", disse o inventor.

A polícia da Dinamarca concluiu que o tronco do corpo da jornalista foi cortado de forma intencional. Além disso, os peritos encontraram ferimentos compatíveis com uma tentativa de extrair o ar de seu interior para que afundasse e não fosse encontrado.

Peter Thompson/ AFP
Imagem que seria da jornalista Kim Wall ao lado de um homem na torre do submarino particular "UC3 Nautilus", em Copenhague

Madsen afirmou que também dormiu durante um momento enquanto o corpo da jornalista estava em outro compartimento. No entanto, atribuiu o fato de não ter pedido ajuda e de ter mudado de versão várias vezes depois do incidente por causa de seu estado mental.

"Eu sabia o mundo em que vivia, que é tudo para mim, que iria para o mesmo lugar que Kim. Estava sob uma psicose suicida", disse.

O inventor negou ter mantido relação sexual com Wall, mas admitiu ter levado outras mulheres para o submarino. E também reconheceu ter frequentado ambientes sadomasoquistas no passado.

No início da audiência, que ainda está em andamento, o promotor pediu que Madsen fique preso preventivamente por mais quatro semanas. Além disso, solicitou que o inventor seja julgado por homicídio doloso, quando há intenção de matar, e que também seja acusado de trato indecente com cadáver.

Wall, que iria entrevistar Madsen, desapareceu no dia 10 de agosto a bordo do Nautilus, um submarino de fabricação caseira que foi visto no dia seguinte na baía de Koge, no sul de Copenhague, onde o inventor foi resgatado antes de a embarcação afundar.

Madsen disse inicialmente que a repórter tinha desembarcado horas depois do início da viagem e que o submarino afundou por causa de um erro. Depois, mudou sua versão. A polícia, por sua vez, descobriu que a embarcação foi afundada propositalmente, informação que foi confirmada pelo inventor hoje.

"Foguete" Madsen, como é conhecido pela imprensa dinamarquesa, é conhecido por seus submarinos.

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