Onda de violência já deixou 414 mortos no oeste de Mianmar

Bangcoc, 6 set (EFE).- Pelo menos 414 pessoas morreram nas últimas duas semanas durante a onda de violência sectária no oeste da Mianmar, região declarada como "zona de operações" pelo Exército, informou o governo local nesta quarta-feira.

O conflito começou no dia 25 de agosto, quando efetivos armados do Exército de Salvação Rohingya de Arakan (ARSA) atacaram cerca de 20 instalações governamentais no estado de Rakhine (antigo Arakan) e provoraram a posterior resposta dos militares.

O comitê de informação do Escritório da Conselheira de Estado, a nobel da Paz Aung San Suu Kyi, reportou no Facebook que desde o ataque morreram 371 rebeldes, 15 efetivos governamentais e 28 civis.

O organismo oficial também calculou que cerca de sete mil casas foram destruídas durante os combates, o que deixou mais de 26,5 mil deslocados internos, independentemente a etnia.

Outras 123 mil pessoas da etnia muçulmana rohingya, não reconhecida pelas autoridades de Mianmar, cruzaram a fronteira de Bangladesh fugindo da violência, segundo os dados do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR).

Desde o início dos confrontos, o ARSA e as Forças Armadas trocaram acusações sobre violações dos direitos humanos. Ao grupo insurgente também é atribuída a autoria do ataque contra três postos de fronteira em 9 de outubro de 2016 que desencadeou uma violenta operação de represália do Exército.

A ONU e várias organizações condenaram aquela operação, na qual foram denunciados assassinatos, saques e violações de civis, e que levou cerca de 74 mil rohingyas a fugir para Bangladesh.

Suu Kyi foi duramente criticada pelo swilêncio perante a crise humanitária vivida pelo estado de Rakhine, onde residem 1,1 milhão de rohingyas.

Os membros desta etnia muçulmana, com raízes centenárias no país, sofrem uma crescente discriminação desde o surto de violência sectária de 2012, que deixou pelo menos 160 mortos e cerca de 120 mil pessoas confinadas em 67 campos de deslocados.

As autoridades de Mianmar não reconhecem a etnia rohingya, consideram seus membros imigrantes bengalis e os impõem múltiplas restrições, incluindo a de movimento.

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