Promotor pede investigação contra governo Macri por encobrir desaparecimento

Buenos Aires, 6 set (EFE).- Um promotor pediu nesta quarta-feira a abertura de uma investigação para determinar se o governo do presidente da Argentina, Mauricio Macri, teve participação em um possível encobrimento do sumiço do jovem Santiago Maldonado, que desapareceu no dia 1º de agosto enquanto participava de um protesto que foi reprimido pela polícia.

Fontes da Justiça argentina informaram à Agência Efe que o promotor Federico Delgado enviou o pedido ao juiz Rodolfo Canicoba Corral. Foi solicitado, além disso, que o governo explique como ocorreu a operação da Gendarmería Nacional da Argentina (GNA) durante o protesto que teve a participação do jovem desaparecido.

Familiares, parte da oposição e vários orgãos de direitos humanos acusam a GNA, e portanto o governo de Macri, de ser responsável pelo desaparecimento. Representantes do Executivo respondem garantindo que estão colaborando com a Justiça para encontrar Maldonado vivo e reiteram que, por enquanto, não há prova contra os agentes.

O pedido de Delgado cita, entre outros, Macri, o chefe de gabinete, Marcos Peña, a ministra de Segurança, Patricia Bullrich, e o ministro da Justiça, Germán Garavano.

O promotor inclui uma denúncia feita por duas organizações - a Liga Argentina pelos Direitos do Homem e o Instituto Arturo E. Sampay - sobre o desaparecimento de Maldonado. Devido ao tempo do sumiço, desenvolve a tese de "encobrimento" por parte das autoridades, o que provocaria acusações de violações dos deveres de funcionário público e abuso de autoridade.

As organizações destacam a existência de um "pacto de silêncio" por parte do governo e de uma tentativa de "limitar a responsabilidade gerando uma campanha de desinformação, em aliança com os veículos de comunicação de massa".

As duas entidades também criticam o governo de Macri por ter dado uma "resposta satisfatória" à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e ao Escritório Regional para a América do Sul do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (Acnudh).

A CIDH exigiu que o governo dê informações sobre as medidas tomadas para investigar os fatos e a ONU exigiu que a Argentina adote "medidas urgentes" para encontrar Maldonado.

Pouco depois da divulgação do pedido do promotor, o chefe de gabinete de Macri falou sobre o assunto no Senado e deixou claro que não existe nenhum tipo de encobrimento criando obstáculos para o trabalho da Justiça.

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