Suu Kyi denuncia desinformação durante crise rohingya em Mianmar

Bangcoc, 6 set (EFE).- A líder de fato do Governo de Mianmar e prêmio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, denunciou a desinformação ocorrida durante a atual onda de violência no país, na qual nas duas últimas semanas já morreram 414 pessoas, a maioria membros da etnia muçulmana rohingya.

Em uma conversa telefônica com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, Suu Kyi rompeu o silêncio desde o aumento da violência, e assegurou que "protegerá" os direitos de "todas as pessoas" de Mianmar, conforme a transcrição oficial publicada hoje pelo seu escritório.

Suu Kyi, que foi duramente criticada pelo sua não manifestação perante a crise humanitária, disse que seu governo sabe "muito bem, melhor que a maioria, o que significa a privação dos direitos humanos e a proteção democrática. Asseguraremos que todas as pessoas do país serão protegidas, bem como seus direitos à defesa humanitária, social e política".

A política, que também ostenta o cargo de ministra de Assuntos Exteriores, pediu que sejam evitadas as notícias e fotografias falsas que circulam pelas redes sociais sobre o que acontece no estado de Rakhine (antigo Arakan), onde residem 1,1 milhão de rohingyas.

O conflito armado ressurgiu em 25 de agosto quando mil efetivos pobremente armados do Exército de Salvação Rohingya de Arakan (ARSA) atacaram 20 postos governamentais perto da fronteira com Bangladesh e depois tiveram que lidar com a posterior resposta dos militares.

Segundo os dados apresentados pelo comitê de informação do Escritório da Conselheira de Estado, em menos de duas semanas de conflito morreram 371 rebeldes, 15 soldados governamentais e 28 civis.

O organismo oficial também estimou em cerca de 7 mil as casas destruídas durante os combates, em 59 populações da região, o que provocou mais de 26,5 mil deslocados internos, sem separar a etnia destes.

Outras 123 mil pessoas da etnia muçulmana rohingya, não-reconhecida pelas autoridades birmanesas, cruzaram a fronteira de Bangladesh fugindo da violência, segundo os dados do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR).

Desde o início dos enfrentamentos, o ARSA e as Forças Armadas birmanesas trocam acusações sobre violações dos direitos humanos.

Suu Kyi qualificou os insurgentes como "terroristas" durante a conversa com Erdogan.

Mais de um milhão de rohingyas vivem em Rakhine, vítimas de uma crescente discriminação desde o surto de violência sectária de 2012, que deixou pelo menos 160 mortos e cerca de 120 mil deles confinados em 67 campos de deslocados.

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