China mantém viúva de Liu Xiaobo sob vigilância em Pequim, afirmam amigos

Pequim, 7 set (EFE).- Liu Xia, viúva do nobel da Paz Liu Xiaobo, recebeu autorização para voltar à sua residência em Pequim após ter sido forçada a viajar pelas autoridades, mas segue sob estrita vigilância, asseguraram nesta quinta-feira à Agência Efe alguns de seus amigos mais próximos.

Liu Xia retornou à sua casa na capital chinesa há cerca de dez dias, após passar uma temporada na província sulina de Yunnan após a morte de seu marido, segundo explicou o ativista e escritor Ye Du, após ter falado por telefone com a poetisa e fotógrafa recentemente.

O caso e a morte do nobel, um dos dissidentes mais conhecidos da China, gerou grande polêmica internacional pois Liu Xiaobo se tornou o primeiro nobel da Paz a morrer sob custódia após o pacifista alemão Carl von Ossietzky, fechado em um campo de concentração nazista em 1938 por denunciar o rearmamento alemão.

Liu foi condenado a 11 anos de prisão por subversão em 2009, após ter ajudado a redigir um manifesto que pedia democracia, e morreu em um hospital sob vigilância em julho deste ano, após ser diagnosticado na prisão com um câncer de fígado.

A viúva de Liu Xiaobo, que desde que lhe concederam o Nobel ao seu marido há dez anos esteve sob detenção policial sem acusação alguma, volta a Pequim disposta a brigar para sair do país e cumprir assim com a vontade expressada por seu cônjuge antes de morrer.

"Disse que devia sair do país, e ela me disse que se esforçaria (para conseguir)", afirma seu amigo Ye Du.

A chamada entre ambos, o primeiro contato desde o funeral, foi muito breve e foi interrompida de forma abrupta quando Ye Du mencionou o nome do falecido dissidente.

"Estava muito triste, não queria falar muito e quando mencionei Xiaobo, a ligação caiu", explica.

O reconhecido ativista Hu Jia, também próximo à família, advertiu em declarações à Agência Efe que, enquanto Liu Xia permanecer na China, estará "em uma prisão".

Dias depois da realização do funeral de Liu Xiaobo, um carro de polícia e vários homens - a maioria sem uniforme - vigiavam a moradia de ambos em Pequim, segundo uma equipe da Efe e da agência de fotógrafos europeus EPA pôde constatar.

Os homens, que se identificaram como supostos guardas de segurança, impediram a passagem dos jornalistas e os forçaram a abandonar o local mediante empurrões, obrigando-os a eliminar qualquer documento gráfico.

O circulo íntimo de Liu Xia assegura agora que a vigilância continua ainda que se desconhece em que condições se encontra exatamente.

Ativistas e defensores dos direitos humanos pedem que Pequim liberte a poetisa, uma mulher que - segundo denunciam - está na última década sendo vítima da repressão do regime, apesar de não ter participado diretamente da pacífica luta pela democracia protagonizada por seu marido.

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