Futuros passaportes da Polônia provocam críticas de Ucrânia e Lituânia

Nacho Temiño.

Varsóvia, 7 set (EFE).- A proposta do governo nacionalista da Polônia de incluir nos novos passaportes imagens de monumentos construídos em cidades que já pertenceram ao território do país até o século passado, e atualmente dentro das fronteiras de Ucrânia e Lituânia, gerou um grande mal-estar na região.

"Ainda não tomamos nenhuma decisão (sobre o projeto dos futuros passaportes). Queremos manter boas relações com todos", disse a primeira-ministra da Polônia, Beata Szydlo, minimizando a polêmica.

No entanto, a proposta do Ministério do Interior para que as folhas dos novos passaportes incluam imagens como a da Porta da Aurora de Vilna, na capital da Lituânia, e o cemitério Lychakiv de Leopolis, no oeste da Ucrânia, ameaça as relações diplomáticas com os dois países estratégicos para a política exterior de Varsóvia.

O chefe da diplomacia polonesa, Witold Waszczykowski, reconheceu nesta quarta-feira que a questão ainda está sendo debatida por ser um assunto delicado. Especialmente porque pode prejudicar o estreito contato entre Polônia e Lituânia, aliado do país na Organização do Tratado do Atlântico Norte e na União Europeia (UE).

Os poloneses também apoiaram ativamente a Ucrânia na aproximação recente com o bloco europeu.

Em agosto, o governo da Ucrânia convocou o embaixador polonês para expressar mal-estar pela decisão de incluir o cemitério de Leopolis, uma decisão que para Kiev terá um "peso negativo no desenvolvimento da associação estratégica entre os dois países".

As autoridades ucranianas acreditam que a decisão da Polônia representa a "politização de fatos históricos já superados".

O Ministério de Relações Exteriores da Lituânia também convocou o embaixador polonês para consultas e pediu que Varsóvia reconsidere a decisão de incluir o monumento de Vilna nos passaportes.

Até agora havia o costume não escrito de não fazer nenhuma afirmação, nem sequer simbólica, aos territórios perdidos pela Polônia no redesenho de fronteiras pós-Segunda Guerra Mundial.

O Ministério do Interior da Polônia iniciou uma campanha na internet para que os cidadãos votem em que imagens de monumentos poderiam ser incluíds nas páginas do novo passaporte, que deveria entrar em vigor em 2018, quando o país festejará o centenário de sua independência.

As páginas incluirão imagens de 13 monumentos já eleitos, entre eles os citados na Lituânia e na Ucrânia, e outros 13 que devem ser votados pelos internautas até o próximo dia 10 de setembro.

Após a Segunda Guerra Mundial, a Polônia perdeu a faixa leste de seu território, o que hoje inclui uma parte da atual Lituânia, de Belarus e da Ucrânia, que passaram a integrar a União Soviética.

Como compensação, as fronteiras do oeste da Polônia foram ampliadas, ocupando parte da então Alemanha.

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