Papa pede que colombianos fujam da vingança no caminho para a paz

Bogotá, 7 set (EFE).- O papa Francisco pediu nesta quinta-feira aos colombianos que fujam da vingança, declaração que fez parte de seu primeiro discurso na Colômbia, pronunciado perante autoridades locais e o presidente do país, Juan Manuel Santos, na Casa de Nariño, sede do governo.

Com palavras direcionadas a uma sociedade colombiana que ficou fortemente polarizada após os acordos do governo com as Farc, o pontífice recomendou "fugir de toda tentação de vingança e busca de interesses apenas particulares e a curto prazo".

Para isso, citou uma frase de sua Exortação Apostólica "Alegria do Evangelho", na qual diz que "quanto mais difícil é o caminho que conduz à paz e ao entendimento, mais empenho temos de colocar em reconhecer o outro, em sanar as feridas e construir pontes, em estreitar laços e nos ajudar mutuamente".

"Andar o caminho leva o seu tempo. A longo prazo. Quis vir até aqui para dizer que vocês não estão sós, que somos muitos os que queremos acompanhá-los neste passo. Esta viagem quer ser um aliciente para vocês, uma contribuição que em algo aplaine o caminho para a reconciliação e a paz", disse o pontífice no palácio presidencial.

O papa, que chega à Colômbia após a assinatura do processo de paz com as Farc e perante uma sociedade ainda fortemente dividida, solicitou às instituições do país para que sejam aprovadas "leis justas que garantam a harmonia e ajudem a superar os conflitos que rasgaram esta nação por décadas".

Mas, antes do encontro, o pontífice pronunciou um discurso no qual pediu leis justas, que "não nascem da exigência pragmática de ordenar a sociedade, mas do desejo de resolver as causas estruturais da pobreza que geram exclusão e violência".

Embora o papa Francisco não tenha citado a assinatura dos acordos com as Farc, avaliou "os esforços feitos nas últimas décadas para pôr fim à violência armada e encontrar caminhos de reconciliação".

Para levar o país à reconciliação após 53 anos de conflito, papa Francisco afirmou que "a busca da paz é um trabalho sempre aberto, uma tarefa que não dá trégua e que exige o compromisso de todos" e defender "não desistir no esforço par construir a união da nação" apesar dos "obstáculos, diferenças e diferentes enfoques sobre a maneira de alcançar a convivência pacífica".

O líder religioso insistiu na necessidade de favorecer o que definiu como "cultura do encontro", que exige "colocar no centro de toda ação política, social e econômica o humano, a sua altíssima dignidade e o respeito pelo bem comum".

Em um dos países da América Latina com maior desigualdade social, o pontífice encorajou a sociedade a "olhar para todos aqueles que hoje são excluídos e marginalizados, aqueles que não contam para a maioria e são postergados e encurralados".

"A Colômbia precisa da participação de todos para se abrir ao futuro com esperança. Peço que escutem os pobres, os que sofrem. Olhem nos olhos deles e deixem-se interrogar a todo momento pelos seus rostos sulcados de dor e suas mãos suplicantes. Neles se estudam verdadeiras lições de vida, de humanidade, de dignidade", comentou.

Pap Francisco citou então um extrato do discurso de aceitação do Prêmio Nobel de Literatura (1982) do escritor colombiano Gabriel García Márquez, no qual dizia que, "diante da opressão, do saque e do abandono, nossa resposta é a vida". O pontífice concluiu o discurso dizendo aos colombianos que reza por eles e "pelo presente e pelo futuro da Colômbia".

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