Papa se inspira em García Márquez para falar sobre "solidão" da Colômbia

Em Bogotá

  • Luis Robayo/AFP

    7.set.2017 - O papa Francisco acena para multidão reúnida na Praça Bolívar, em Bogotá

    7.set.2017 - O papa Francisco acena para multidão reúnida na Praça Bolívar, em Bogotá

O papa Francisco se inspirou no escritor colombiano Gabriel García Márquez para relatar a "solidão" de tantos anos de conflito na Colômbia, em alguns dos discursos feitos na visita ao país, que começou na quarta-feira.

No pronunciamento às autoridades e ao presidente Juan Manuel Santos, ao falar do caminho de reconciliação do país, o líder religioso disse que os colombianos têm uma formosa e nobre tarefa pela frente e que em seus corações "ecoa a coragem do grande compatriota Gabriel García Márquez".

O pontífice também citou algumas palavras ditas por García Marquez quando o escritor recebeu o prêmio Nobel de Literatura em 1982.

"No entanto, diante da opressão, do saque e do abandono, nossa resposta é a vida. Nem os dilúvios nem as pestes, nem a fome nem os cataclismos, nem sequer as guerras eternas através dos séculos conseguiram reduzir a vantagem tenaz da vida sobre a morte. Uma vantagem que aumenta e se acelera", pronunciou.

Papa Francisco continuou a recordar o escritor com a citação: "Uma nova e arrasadora utopia da vida, onde ninguém possa decidir por outros até a forma de morrer, onde de verdade seja certo o amor e seja possível a felicidade, e onde as estirpes condenadas a cem anos de solidão tenham, enfim e para sempre, uma segunda oportunidade sobre a terra".

Um discurso que Gabo intitulou como "A Solidão da América Latina" e que hoje o papa levou como insiração para a situação que atravessa a Colômbia após 53 anos de conflito, um acordo de paz com as FARC que dividiu a sociedade e um duro caminho para a reconciliação.

O pontífice também mencionou uma das obras-primas de García Márquez, "Cem anos de solidão", quando disse aos colombianos em seu primeiro discurso: "O tempo gasto no ódio e na vingança é muito. A solidão de estar sempre uns contra os outros já se conta por decênios e aproxima-se dos cem anos".

Depois no discurso aos bispos colombianos, os lembrou que um de seus ilustres escritores escreveu falando de um de seus míticos personagens: "Não imaginava que era mais fácil começar uma guerra que terminá-la". Uma citação do coronel Aureliano Buendía de "Cem Anos de Solidão".
 

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