Emir do Catar chama herdeiro saudita para diálogo sobre crise na região

Riad, 8 set (EFE).- O emir do Catar, Tamim bin Hamad al Thani,a ligou nesta sexta-feira para o herdeiro da coroa na Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, para propor uma abertura de negociações sobre as exigências feitas para encerrar a crise diplomática na região.

Segundo a agência oficial de notícias sauditas "SPA", o emir do Catar mostrou o desejo de estabelecer uma mesa de diálogo para discutir as exigências dos quatro países que acusaram Doha de financiar o terrorismo - Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Egito.

Os quatro países romperam relações diplomáticas com o Catar no início de maio e impuseram uma série de sanções diplomáticas e econômicas após acusar Doha de financiar o terrorismo, uma alegação negada de forma taxativa pelo governo catariano.

A agência saudita explicou que Salman parabenizou Al Thani pelo desejo demonstrado e disse que mais detalhes sobre a negociação serão anunciados assim que Riad consultar os demais países.

Essa conversa direta, a primeira desde o início da crise, ocorreu horas depois de os quatro países terem afirmado que o Catar não tinha "intenções sérias" de dialogar para resolver a crise diplomática. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também se ofereceu para atuar como mediador do conflito na região.

Os quatro países reagiram ontem às declarações do ministro de Relações Exteriores do Catar, Mohammed bin Abdulrahman al Thani, que afirmou ao canal "Al Jazeera" que qualquer negociação deve começar sem condicionamentos e depois do fim do bloqueio imposto ao país pelos vizinhos.

"As palavras do chanceler catariano confirmam a rejeição do Catar ao diálogo e sua imposição de condições mostra a falta de seriedade para negociação", afirmaram os quatro países em nota conjunta.

Trump se ofereceu ontem como mediador da crise caso os esforços atuais para resolver o conflito, liderados pelo Kuwait, não deem resultados.

"Estaria disposto a ser o mediador", disse o presidente americano na Casa Branca durante uma entrevista coletiva conjunta com o emir do Kuwait, Sabah Al Ahmed Ael Sabah.

No início da crise diplomática, Trump se posicionou a favor do quarteto e pediu que o Catar deixasse de financiar o terrorismo. As declarações atrapalharam a tentativa do Departamento de Estado de adotar uma posição neutra em relação ao conflito.

Trump disse ontem que a crise começou por causa do "financiamento do terrorismo por parte de certos países", sem especificar quais eles seriam.

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