Vítimas colombianas acreditam que encontro com o papa ajudará a curar feridas

Villavicencio (Colômbia), 8 set (EFE).- Várias das seis mil vítimas do conflito armado da Colômbia que nesta sexta-feira participarão de um ato com o papa Francisco para promover a reconciliação acreditam que esse encontro os ajudará a curar suas feridas.

"Eu acredito que as feridas se sanam no espírito, no homem. As que esta guerra deixou devem começar a se curar. Acima de recursos econômicos, o que mais necessitamos é um encontro entre nós mesmos", explicou à Agência Efe Luis Eduardo Barreto.

Ele é um dos mais de seis milhões de colombianos vítimas do deslocamento forçado e será um dos participantes do ato que nesta tarde reunirá na cidade de Villavicencio pessoas afetadas pelo conflito.

Barreto é jornalista e foi ameaçado pelas paramilitares Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC) por tentar manter uma agenda informativa independente no departamento de Cesar e se viu obrigado a abandonar sua casa e iniciar um périplo por todo o país.

"O papa Francisco tem mensagens muito profundas, e esse compromisso com o processo de paz, desde o princípio, nos faz acreditar que ele alimenta o espírito dos colombianos, nos ajuda a entender a nós mesmos", analisou.

Outro deslocado, mas pela violência das Farc, é Francisco Gordillo, do departamento do Caquetá, que também participará do ato do pontífice.

Para ele, o ato de hoje "significa uma bênção de Deus para o povo colombiano e o mundo inteiro", já que considera que será um "símbolo de paz, de amor e reconciliação porque com a chegada do papa à Colômbia é sentida essa alegria".

"A mensagem depende de como cada um interpretará e da harmonia do povo colombiano. Devemos ser multiplicadores da paz", declarou.

Quem também terá chance de estar frente a frente com o papa é Yumaira Sierra, porta-voz da Associação de Sobreviventes de Minas Antipessoais, cujo marido ficou mutilado ao pisar em uma enquanto trabalhava.

"Se não perdoarmos, não há paz. Agradeço a esses grupos armados que começaram a paz (Farc e ELN) no meu departamento (Arauca, no leste) e na nação. A paz já é sentida", opinou.

Após o ato no Parque Malocas de Villavicencio, o papa Francisco finalizará a visita com outro ato no Parque Fundadores, onde deve orar sob uma cruz que percorreu todo o país nos últimos sete anos em diferentes atos litúrgicos pela paz da Colômbia.

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